No Brasil, a defesa da Ecoeconomia é feita pelo economista Hugo Ferraz Penteado, que escreveu o livro Ecoeconomia – Uma nova abordagem. Em entrevista ao site do Instituto Brasileiro de Produção Sustentável e Direito Ambiental (IBPS) [1], ele disse que o primeiro entrave para que as iniciativas mais sustentáveis dêem certo é o fato de a teoria econômica ser incapaz de reconhecer o problema, pois parte do princípio irreal de que o sistema econômico é neutro para o meio ambiente e o meio ambiente é inesgotável.
“O segundo entrave está na falta da evidência de um colapso ambiental definitivo. O argumento dos céticos é que podemos ser ricos como os Estados Unidos, afinal, trata-se de um país rico e limpo. Em primeiro lugar os países ricos como os Estados Unidos e a Europa não são limpos. De acordo com a agência ambiental norte-americana metade dos rios, lagos e zonas estuárias daquele país estão contaminados (com mercúrio, entre outras coisas) e poluídos. Sem falar na questão da destruição de florestas: eles destruíram a quase totalidade das suas florestas”, lembra Penteado.
Ele diz ainda que está na hora de reconhecer a falência do sistema. Segundo ele, a solução passa por uma mão menos invisível dos governos, por uma regra tributária amigável ao meio ambiente, pelo estímulo aos pequenos empresários e comerciantes, pela educação e desenvolvimento das aptidões individuais, por uma reformulação do ensino e das nossas mentes – cuja palavra de ordem é crescer e enriquecer, embora isso não faça o menor sentido do ponto de vista coletivo. É uma crise de valores, que já foi coroada com vários eventos extraordinariamente ruins, como a Guerra do Iraque, por exemplo. Se essa crise vai ser coroada com uma mudança geral de atitude ou se vamos caminhar para o colapso é algo que ainda não sabemos”.
“De nada adianta, por exemplo, sensibilizar a população para o uso de energias renováveis se não há, do outro lado, regulamentação que incentive a produção empresarial em escala e a disseminação dessas energias, como incentivos fiscais ou obrigatoriedade. É uma intrincada rede de responsabilidades”, afirma Rubens Born, coordenador da organização não-governamental Vitae Civilis.
Fazer andar tal processo não é tarefa fácil. Há diversos interesses em jogo, muitos deles opostos ao desenvolvimento sustentável: desde questões individuais (como a preferência por determinado padrão de consumo) até questões econômicas (empresas de petróleo, por exemplo, tendem a fazer lobby contra o uso das energias renováveis; grandes pecuaristas se opõem a determinadas regulamentações do uso de terras).
De acordo com o ambientalista inglês George Monbiot, os estudos científicos alertam para o fato de que podem ser ainda maiores do que os previstos pelos protocolos e tratados internacionais os esforços que o mundo deve fazer para lidar com as mudanças climáticas. Segundo ele, em artigo publicado no jornal britânico The Guardian [2], a crise em que estamos não demanda apenas discussões científicas e técnicas a respeito de como lidar com o fenômeno. Demanda, também, uma discussão profunda e filosófica e uma reavaliação dos papéis individuais, sociais e políticos de todos, bem como do significado do progresso.
Links:
[1] http://www.ibps.com.br/
[2] http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2007/dec/04/comment.politics