Foto: Pedro Rubens
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Estudos científicos apontam que, devido ao aumento da concentração na atmosfera de gases de efeito estufa (GEE), resultantes principalmente da queima de combustíveis fósseis (carvão mineral, petróleo e gás natural) e da derrubada de florestas tropicais, a temperatura do planeta subiu quase 1 grau centígrado nos últimos 100 anos. Algumas regiões chegaram a aquecer até 2 graus. O aumento, que pode parecer pequeno à primeira vista, já ocasionou elevações do nível do mar e derretimento de geleiras nessas localidades.
A publicação e massiva divulgação do quarto relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações do Clima (IPCC), em 2007, colocaram de forma mais enfática a questão da responsabilidade do ser humano no processo de mudanças climáticas pelo qual a Terra está passando. O documento apontou 95% de certeza científica da influência antropogênica no aquecimento do planeta. Ganharam fôlego renovado os debates sobre alteração dos padrões de produção/consumo e modelo de desenvolvimento econômico.
* Mais sobre elevação da temperatura e influência antropogênica nas seções Que fenômeno é este? [1] e O poder da ação humana [2]
Entre os artigos, editoriais, entrevistas e matérias sobre mudanças climáticas publicados por 50 jornais brasileiros, entre julho de 2005 e junho de 2007, 13,1% abordaram alguma perspectiva de modelo de desenvolvimento.
Fonte: Pesquisa Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira. ANDI e Embaixada Britânica.
Nesse sentido, o alerta colocado pelo Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008 [3] (PDF - 8.730 KB Baixar Arquivo [4]) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano (PNUD) de que “o mundo tem menos de uma década para mudar o seu rumo” e de que “não há assunto que mereça atenção mais urgente, nem ação mais imediata” é algo que conduz ao entendimento de que a questão das mudanças climáticas não se restringe a um debate puramente científico ou, no máximo, de caráter ambientalista (num sentido reducionista). O alerta, defendem as Nações Unidas, está no cerne das reflexões sobre o desenvolvimento dos Estados Nacionais e suas sociedades daqui para frente.
Como destaca o glaciólogo brasileiro Jefferson Cárdia Simões, ciclos de resfriamento e aquecimento fazem parte da história de nosso planeta, mas esta “é a primeira vez que a Terra passa por um processo de mudanças climáticas com mais de seis bilhões de habitantes explorando seus recursos”.
De acordo com estudo elaborado pela Divisão de População do Departamento de Assuntos Sociais e Econômicos da ONU (Desa), a previsão é que apenas em 2050 a população mundial entrará em retração, ao atingir 9,2 bilhões de habitantes.
Por isso, a reflexão sobre como o ser humano está usando os recursos naturais é tão pertinente. O Relatório de Desenvolvimento Humano do Pnud também destaca que o mundo está gerindo mal e imprudentemente a interdependência ecológica. “A nossa geração está cumulando uma dívida ecológica insustentável, a qual será herdada pelas gerações futuras. Alterações climáticas perigosas são resultado de um nível insustentável de emissão de gases com efeito de estufa”.
Outro documento de referência é o relatório do economista britânico Nicholas Stern, encomendado pelo governo britânico e lançado em 2006, que também gerou grande impacto mundial ao afirmar que se não forem tomadas medidas para a redução das emissões, a concentração dos gases geradores de efeito de estufa na atmosfera poderá atingir o dobro do seu nível pré-industrial já em 2035, sujeitando-nos praticamente a um aumento da temperatura média global de mais de 2ºC.
O estudo The Economics of Climate Change, mais conhecido como Relatório Stern [5] (PDF - 8.822 KB Baixar Arquivo [6]), apontou também que, a longo prazo, há mais de 50% de possibilidade de que o aumento da temperatura venha a exceder os 5ºC. “Esta subida seria de fato muito perigosa; é equivalente à mudança das temperaturas médias desde a última era glacial até o presente. Uma tal mudança radical na geografia física do mundo tem de resultar em alterações importantes na geografia humana – o local onde as pessoas vivem e o seu modo de vida”, aponta o documento.
* Mais sobre as eras glaciais na seção Que fenômeno é este? [1]
Dentre uma amostra de 997 textos sobre mudanças climáticas publicados pela imprensa, no período 2005-2007, 0,4% dedicou especial atenção à questão dos ecossistemas.
Fonte: Pesquisa Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira. ANDI e Embaixada Britânica.
Outro importante documento da Organização das Nações Unidas que destaca a urgência de medidas conjuntas para o Planeta, Avaliação Ecossistêmica do Milênio [7] (PDF 903 KB - Baixar Arquivo [8]), divulgado em 2007, é o resultado dos estudos de um grupo de 1.320 cientistas sobre as conseqüências que as mudanças nos ecossistemas trazem para o bem-estar humano.
O documento apresenta as bases científicas das ações necessárias para melhorar a preservação e uso sustentável dos ecossistemas, entendidos como o conjunto de fatores bióticos e abióticos que atuam simultaneamente sobre determinada região (considera-se como fatores bióticos as diversas populações de animais, plantas e bactérias e os abióticos os fatores externos como a água, o sol, o solo, o gelo e o vento).
Uma das mensagens-chave elencadas pela publicação é a de que os esforços coordenados de todos os setores governamentais, empresariais e institucionais serão necessários para uma melhor proteção do capital natural. “A produtividade dos ecossistemas depende das escolhas corretas no tocante a políticas de investimentos, comércio, subsídios, impostos e regulamentação”, recomenda o texto.
O estudo mostra, por exemplo, que a diversidade e quantidade de peixes de água salgada – e sua conseqüente redução para consumo dos seres humanos –, está diminuindo gradativamente em decorrência da deterioração do ecossistema marinho. “Esse sinal é uma luz vermelha piscando, alertas de que em muitas áreas fomos além do limite em que a natureza pode repor seus estoques”.
Nesse sentido, ressalta a publicação, de nada adianta para a preservação ambiental a política adotada pela União Européia para tentar contornar o problema: pagar aos países do oeste da África para ter acesso a suas águas territoriais, forçando barcos de pesca tradicional em pequena escala a competir por cardumes cada vez menores com superpesqueiros gigantes – estes geralmente construídos com subsídios de impostos pagos por cidadãos europeus. O ideal, por exemplo, seriam políticas que evitassem a pesca predatória.
Links:
[1] http://www.mudancasclimaticas.andi.org.br/node/656
[2] http://www.mudancasclimaticas.andi.org.br/node/652
[3] http://www.scribd.com/full/6304988?access_key=key-5w5j1eiix616wk1ymq2
[4] http://www.mudancasclimaticas.andi.org.br/download.php?path=2azvtffjrmpop6bc02w2.pdf
[5] http://www.scribd.com/full/6957968?access_key=key-1htrt9xezpcgbrpb1gj4
[6] http://www.mudancasclimaticas.andi.org.br/download.php?path=26a37mxql5nsp6mapydk.pdf
[7] http://www.scribd.com/full/6305159?access_key=key-ji7kyi7ajdm9ooxsgbg
[8] http://www.mudancasclimaticas.andi.org.br/download.php?path=ug2hahnpnskqwh6yzsh.pdf