De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano 2007-2008 do Pnud, entre 2000 e 2004, cerca de 262 milhões de pessoas foram anualmente afetadas por desastres climáticos. O documento mostra que mais de 98% delas vivem em países em desenvolvimento.
Projeções do mesmo estudo apontam que “as conseqüências irão condenar os 40% mais pobres da população mundial – cerca de 2,6 bilhões de pessoas – a um futuro de oportunidades diminutas.
Já o Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima trabalhou cenários para as diversas áreas como recursos hídricos, produtividade de culturas agrícolas, saúde, assentamento humano e economia, caso se confirme aumento de temperatura entre 1,8ºC e 4ºC. Dentro dessa faixa de temperatura o aumento de chuvas em algumas regiões pode provocar inundações, é provável que aumente a extensão das áreas afetadas por secas. O risco de extinção de aproximadamente 20% a 30% das espécies vegetais e animais será maior. Assim como o aumento de mortes, doenças e ferimentos por causa das ondas de calor, inundações,incêndios e secas. Doenças tropicais como malária, cólera e tuberculose também devem afetar a população de algumas regiões.
O Grupo de Trabalho II do IPCC não traça projeções específicas sobre o impacto das mudanças climáticas na economia, mas as projeções do economista britânico Nicholas Stern, divulgadas em 2006 no Relatório Stern, não são nada animadoras quando o assunto é impacto das mudanças climáticas na economia mundial. O documento afirma que o Produto Interno Bruto Mundial (PIB) poderia sofrer, até o final do século, uma redução "muito grave", situada entre 5% e 20 %. Com isso, Stern avalia em cerca de 15 trilhões de reais a conta global da destruição do meio ambiente no período caso redução da emissão de Gases de Efeito Estufa não for efetiva.
Todos os seres vivos e ecossistemas são vulneráveis às alterações climáticas e, quando expostos a mudanças tão profundas e radicais, correm até mesmo o risco de extinção.
Dessa forma, ao falar de impactos das mudanças climáticas, devemos levar em consideração os aspectos da vulnerabilidade climática. Como exemplo, temos o semi-árido brasileiro, que é altamente vulnerável ao aumento de temperatura. Tanto que em um dos cenários climáticos apontados pelos pesquisadores, deverá chover menos, e as secas poderão ser mais intensas. Também pode haver redução no nível de água dos reservatórios subterrâneos, tornando a região um lugar impróprio para a vida humana e também para vegetação. A vulnerabilidade climática é algo abrangente, não só diz respeito às pessoas, mas ao planeta como um todo.
De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano 2007-2008 do Pnud [1] (PDF 8.730 KB - Baixar Arquivo [2]) , entre 2000 e 2004, cerca de 262 milhões de pessoas foram anualmente afetadas por desastres climáticos. O documento mostra que mais de 98% delas vivem em países em desenvolvimento.
As chamadas “vulnerabilidades” são o tema central de 0,8% dos textos veiculados por 50 jornais brasileiros analisados, no período 2005-2007.
Fonte: Pesquisa Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira. ANDI e Embaixada Britânica.
Projeções do mesmo estudo apontam que “as conseqüências irão condenar os 40% mais pobres da população mundial – cerca de 2,6 bilhões de pessoas – a um futuro de oportunidades diminutas. Irá exacerbar desigualdades profundas entre os países e minar os esforços para construir um padrão de globalização mais inclusivo, reforçando as enormes disparidades entre os que 'têm' e os que 'não têm’”.
O relatório do Pnud chama a atenção para a responsabilidade humana na vulnerabilidade das populações, quando explica que os riscos emergentes e a vulnerabilidade associados às alterações climáticas são o resultado de processos físicos, mas também conseqüência de ações e decisões humanas.
“Quando uma pessoa, numa cidade americana, liga o ar-condicionado ou uma outra pessoa na Europa conduz o seu carro, as suas ações têm conseqüências nas comunidades rurais em Bangladesh, para os lavradores na Etiópia e para os habitantes de bairros degradados no Haiti. Com estas conexões humanas, há uma responsabilidade moral, incluindo a responsabilidade de reflexão sobre como mudar as políticas energéticas que prejudicam outros povos ou as gerações futuras”, explica o documento.
Projeções
Além de concluir que a ação humana é provavelmente a maior responsável pelo aquecimento do planeta nos últimos 50 anos, e que os efeitos desta influência se estendem a outros aspectos do clima, como elevação da temperatura dos oceanos, variações extremas de temperatura e até padrões dos ventos, o IPCC estima que até o fim deste século a temperatura da Terra deve subir entre 1,8ºC e 4ºC.
Dentro dessa faixa de temperatura, o grupo trabalhou alguns cenários – elencados abaixo, de acordo com o relatório do Grupo de Trabalho II do IPCC.
Recursos hídricos e sua gestão
Até meados do fim do século, projeta-se que o escoamento anual médio dos rios e a
disponibilidade de água aumentem entre 10-40% em regiões de maior latitude e em algumas áreas tropicais úmidas (regiões localizadas mais distantes da linha do Equador). Já paras as regiões com menor latitude, portanto mais quentes, pode haver diminuição entre 10-30%.
Enquanto em algumas regiões o aumento de chuvas possa provocar inundações, é provável que aumente a extensão das áreas afetadas por secas.
Os riscos aumentam também para aqueles que dependem dos estoques de água armazenados nas geleiras e na cobertura de neve, locais onde se projeta diminuição da disponibilidade hídrica. Mais de um sexto da população mundial habita regiões abastecidas pela água derretida de grandes cadeias montanhosas.
Ecossistemas
Se os aumentos da temperatura global média ultrapassarem 1,5 a 2,5°C, deverá haver aumento do risco de extinção de aproximadamente 20% a 30% das espécies vegetais e animais avaliadas até a conclusão do relatório.
Projeta-se que haja grandes mudanças na estrutura e na função dos ecossistemas, e nas interações ecológicas e distribuições geográficas das espécies, com conseqüências predominantemente negativas para a biodiversidade e bens e serviços do ecossistema, como por exemplo, a oferta de água e alimento. A acidificação progressiva dos oceanos decorrente do aumento do dióxido de carbono na atmosfera deve ter impactos negativos nos organismos marinhos formadores de conchas (por exemplo, os corais) e nas espécies que deles dependem.
Alimento, fibra e produtos florestais
A produtividade das culturas deve crescer levemente em regiões que hoje são mais frias, o que dificulta a produção. Já nas regiões atualmente quentes, um aumento entre 1 e 3 graus é altamente nocivo, o que ampliaria em risco de fome.
Porém, globalmente, projeta-se que o potencial de produção de alimentos se eleve com os crescimentos da temperatura local média em uma faixa, de 1 a 3°C, mas diminua acima dessa faixa e que os aumentos na freqüência de secas e inundações afetem negativamente a produção agrícola local, principalmente nos setores de subsistência nas latitudes baixas.
Ainda sobre os impactos na alimentação, há cenários de mudanças regionais na distribuição e produção de determinadas espécies de peixes em conseqüência da continuação do aquecimento, com efeitos adversos projetados para a aqüicultura e os criatórios de peixes.
Já entre os produtos florestais, a produtividade da madeira comercial aumenta levemente com a mudança do clima em curto a médio prazo, com uma grande variabilidade regional
em torno da tendência global.
Sistemas costeiros e áreas de baixa altitude
O litoral deve ficar exposto a maiores riscos, inclusive à erosão, em conseqüência da mudança do clima e da elevação do nível do mar. O efeito será intensificado pelas crescentes pressões induzidas pelo ser humano nas áreas costeiras.
Projetam-se aumentos na temperatura da superfície do mar de cerca de 1 a 3°C. Como os corais são vulneráveis ao aumento de temperatura e têm baixa capacidade de adaptação, isso pode provocar seu branqueamento e mortalidade generalizada, a menos que haja adaptação térmica ou aclimatização dos corais. Como vimos anteriormente, as conseqüências disso afetam o ecossistema marinho e o sustento humano.
A situação das regiões costeiras aparece em 3,6% dos textos jornalísticos sobre as mudanças climáticas.
Fonte: Pesquisa Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira. ANDI e Embaixada Britânica.
As terras úmidas litorâneas, inclusive os pântanos salgados e os manguezais devem ser afetados negativamente pela elevação do nível do mar. Além disso, muitos milhões a mais de pessoas devem ser atingidas por inundações a cada ano até a década de 2080.
As áreas densamente povoadas e de menor altitude, em que a capacidade de adaptação é relativamente baixa, também enfrentam outros desafios que podem se agravar, como as tempestades tropicais. O número de afetados será maior nos grandes deltas da Ásia e da África, enquanto as pequenas ilhas são especialmente vulneráveis.
Saúde
Conforme estudo publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), é provável que a exposição à mudança do clima afete o estado de saúde de milhões de pessoas, em especial as com baixa capacidade de adaptação. Entre outros pontos, o documento destaca:
O balanço dos impactos positivos e negativos na saúde irá variar de um local para o outro – e também sofrerá alterações ao longo do tempo, à medida que as temperaturas continuarem subindo.
Alguns efeitos mistos podem ser esperados, por exemplo, em relação à amplitude e ao potencial de transmissão da malária na África – tanto reduções quanto aumentos são considerados nas projeções dos especialistas.
Há também estudos sobre os impactos em áreas temperadas – que hoje contam com temperaturas mais baixas – demonstrando que a mudança do clima deve trazer alguns benefícios, como menos mortes por exposição ao frio. Em geral, prevê-se que esses benefícios sejam superados pelos efeitos negativos na saúde decorrentes de temperaturas mais elevadas em todo o mundo, principalmente nos países em desenvolvimento.
Segundo o documento da OMS, de importância crucial serão os fatores que definem diretamente a saúde das populações, como educação, atendimento médico, prevenção e infra-estrutura da saúde pública e desenvolvimento econômico. Para enfrentar o agravamento das epidemias, governos e sociedade são orientados a intensificar os investimentos em saúde pública, saneamento e defesa civil. De outra forma, ocorrerá significativo aumento de internações hospitalares e, em casos extremos, interrupção na prestação de serviços na rede de assistência à saúde.
Além disso, os impactos sobre a saúde terão como conseqüência um forte crescimento no número de casos de absenteísmo (ausência) na escola e trabalho.
Aparentemente distantes da discussão sobre mudanças climáticas, as conseqüências para a saúde pública já começaram a chamar a atenção de algumas redações, tendo sido abordadas em 3% dos textos pesquisados.
Fonte: Pesquisa Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira. ANDI e Embaixada Britânica.
Indústria, assentamento humano e sociedade
Os custos e benefícios da mudança do clima para a indústria, o assentamento humano
e a sociedade irão variar amplamente em função da região onde estão localizadas. No geral, contudo, os efeitos líquidos tenderão a ser mais negativos quanto maior for a mudança do clima.
As indústrias, assentamentos humanos e sociedades mais vulneráveis são, em maior parte, os localizados em planícies de inundação costeiras e de rios, aqueles cujas economias estejam intimamente relacionadas com recursos sensíveis ao clima e aqueles em áreas propensas a eventos climáticos extremos, especialmente onde esteja ocorrendo uma rápida urbanização.
As comunidades pobres podem ser especialmente vulneráveis, pois têm capacidade de adaptação mais limitada e são mais dependentes dos recursos sensíveis ao clima, como a oferta local de água e alimento.
Nos locais em que os eventos climáticos extremos se tornarem mais intensos e/ou mais freqüentes, os custos econômicos e sociais desses eventos aumentarão, e esses aumentos serão substanciais nas áreas afetadas mais diretamente.
Economia
Não são poucos os textos que trazem como principal ângulo da reflexão sobre as mudanças climáticas a perspectiva econômica (cerca de 20%). Entretanto, um olhar mais detalhado revela que a maioria ainda traz uma perspectiva superficial. Um total de 9,7% deles centra-se nos custos; 8% sublinham oportunidades; 7% abordam benefícios econômicos; 6% trazem uma reflexão sobre os padrões de consumo das sociedades contemporâneas; 2,2% relacionam o tema com impactos no PIB; e 2,3% mencionam modelos econômicos.
Fonte: Pesquisa Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira. ANDI e Embaixada Britânica.
O relatório do Grupo de Trabalho II do IPCC não traça projeções específicas sobre o impacto das mudanças climáticas na economia. Entretanto, as projeções do economista britânico Nicholas Stern, divulgadas em 2006 no Relatório Stern, não são nada animadoras quando o assunto é impacto das mudanças climáticas na economia mundial. O documento afirma que se o aquecimento global não for controlado, o impacto na economia do planeta será comparável ao das duas Guerras Mundiais e da Grande Depressão.
O Produto Interno Bruto Mundial (PIB) poderia sofrer, daqui até o final do século, uma redução "muito grave", situada entre 5% e 20 %. Com isso, Stern avalia em 3,7 trilhões de libras (algo como 15,12 trilhões de reais) a conta global da destruição do meio ambiente até o final do século, se as ações para redução da emissão de Gases de Efeito Estufa não forem efetivas. O economista diz ainda que os custos poderiam variar de acordo com a velocidade de inovação em tecnologias de baixo carbono e das decisões de investimento por parte dos formuladores de políticas públicas.
O Relatório Stern [3] (PDF 8.822 KB - Baixar Arquivo [4]) considera os custos econômicos dos impactos das mudanças climáticas e os custos e benefícios das medidas para reduzir as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE, levando em conta a seguinte equação:
Links:
[1] http://www.scribd.com/full/6304988?access_key=key-5w5j1eiix616wk1ymq2
[2] http://www.mudancasclimaticas.andi.org.br/download.php?path=2azvtffjrmpop6bc02w2.pdf
[3] http://www.scribd.com/full/6957968?access_key=key-1htrt9xezpcgbrpb1gj4
[4] http://www.mudancasclimaticas.andi.org.br/download.php?path=26a37mxql5nsp6mapydk.pdf