Mesmo com grande potencial para geração de energia solar e eólica o Brasil ainda tem muitos desafios para avançar no uso de renováveis. Especialistas estimam que o potencial bruto eólico é de cerca de 243 gigawatts - praticamente o dobro da potência instalada atualmente no país. Porém é preciso investir em tecnologia de inovação. O preço desse tipo de energia é visto como obstáculo. A expectativa para o primeiro leilão de nergia é grande nesse sentido. Alguns defendem a possibilidade do governo subsidiar a energia eólica como se previa no Programa de Incentivo às Fontes de Energia Alternativa (Proinfa).
Ceará, Rio Grande do norte e Rio Grande do Sul, Paraná e Pernambuco já começaram a investir na força dos ventos. Bahia, Piauí e Sergipe estão em processo de estudos para implantação de turbinas. Dados do Centro de Referência para Energia Solar e Eólica indicam que, nos próximos anos, deverá haver uma expansão de 20 vezes no uso desse tipo de energia no Brasil.
No campo da energia solar, o país precisa provocar uma verdadeira revolução para aproveitar o mercado promissor. Voltar a incentivar a instalação de fábricas de painéis fotovoltaicos e ampliar pesquisas na área térmica. Atualmente, empresários caminham sozinhos apostando no futuro mercado consumidor que além de começar a ter maior consciência ambiental também poderá sentir a economia no bolso. Até 2008, somente 1,48% de todos os domicílios do país, ou 730 mil residências, utilizavam aquecimento solar. Em um ano foram economizados no Brasil cerca de 620 Gwh, energia suficiente para abastecer 350 mil residências do país, consumindo, cada uma, cerca de 145 kWh por mês. A economia de energia com a utilização dessa tecnologia ficam em torno de 60% a 80%, o que reduz o tempo de retorno do investimento para menos de dois anos.
Apesar de grande potencial do Brasil para uso da energia eólica, o país ocupa apenas um modesto 27º lugar no ranking do uso dos ventos para a geração de energia. Alemanha, EUA, Espanha, Índia e China, nessa ordem, encabeçam a lista.
“O setor de energia eólica está em franca expansão mundial, mas ainda está engatinhando no Brasil, que pode perder a corrida por essa energia. A China, por exemplo, dentro de 20 anos, deve ser umas das líderes mundiais de geração”, alerta o professor da Universidade Federal de Santa Catarina, Sérgio Colle. Ele ressalta que o potencial bruto eólico é de cerca de 243 gigawatts - praticamente o dobro da potência instalada atualmente no país. E lembra, também, que o Brasil tem uma grande vantagem competitiva no setor, por ter 70% da população concentrada na faixa litorânea, sendo que nosso maior potencial está nos litorais do Sul e do Nordeste".
O principal obstáculo a ser superado para um futuro promissor da energia eólica no Brasil, segundo Sérgio Colle, é o desenvolvimento tecnológico visando à competitividade, com redução de custos e implantação da fabricação dos equipamentos no Brasil. "A tecnologia de inovação é o principal vetor para o desenvolvimento do setor", afirmou.
Em entrevista aos principais veículos de comunicação no final de julho de 2008, quando foi anunciada a possibilidade da realização do primeiro leilão de energia eólica do país, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, também destacou que o preço para geração dessa energia renovável é ainda um dos principais obstáculos para a expansão da fonte energética no Brasil: "Essa é uma energia ainda cara. Há muito empreendedores potenciais, mas a questão é por quanto a energia vai ser contratada".
Tolmasquim também descartou a possibilidade de o governo subsidiar a energia eólica como se previa no Programa de Incentivo às Fontes de Energia Alternativa (Proinfa). "A filosofia agora é a competição. O Proinfa está ultrapassado e não combina com o atual modelo", declarou.
“O Proinfa é muito modesto e a escala dele foi muito aquém para o que era desejado pelos investidores. A tarifa eólica é mais cara, e se o governo assegura remuneração, quem tem que pagar isso é o consumidor. No caso do Brasil, o governo intervém no preço da energia, pois energia barata satisfaz o eleitor. Diferente de outros países, onde a energia é regulada pelo mercado”, complementa o professor Coller.
Pioneirismo
O Ceará foi pioneiro na realização de um levantamento do seu potencial eólico, no início da década de 1990. O estado possui 25% da capacidade nacional para gerar energia a partir da força dos ventos. Atualmente, dispõe de três parques eólicos instalados: Taíba (5MW), Mucuripe (2,4MW) e Prainha (10 MW), no total de 17,4 MW. Até 2010, o estado contará com mais 14 usinas eólicas habilitadas pelo Proinfa, totalizando 500,5 MW de potência, aproximadamente 42% do consumo atual. De acordo com o Atlas Eólico Brasileiro (2001), o Nordeste possui 52% de todo o potencial de geração eólica do país, ou aproximadamente 75GW - o equivalente a seis vezes a produção nominal da Usina de Itaipu, maior geradora hidroelétrica brasileira.
Outros estados também investiram na força dos ventos. Paraná, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Pará e Minas Gerais, Rio Grande do Sul já utilizam essa energia. Os estados da Bahia, Piauí e Sergipe estão em processo de estudos para implantação de turbinas. Dados do Centro de Referência para Energia Solar e Eólica indicam que, nos próximos anos, deverá haver uma expansão de 20 vezes no uso desse tipo de energia no Brasil.
O professor Sérgio Colle disse que o Brasil precisa de uma verdadeira “revolução solar” para aproveitar o mercado promissor deste tipo de energia. “O Brasil não tem fábricas de painéis fotovoltaicos. Na área térmica, os empresários brasileiros até conseguiram um progresso expressivo, pois sozinhos, apenas acreditando no consumidor, criaram um parque industrial e hoje produzem 600 mil m² de painéis termossolares. Num comparativo, temos a Alemanha que produz cerca de um milhão de m2. Isso explica porque as tecnologias de energia solar no país são primárias”, esclarece.
O professor da Universidade Federal de Pernambuco, Heitor Scalambrini, diz que um dos principais mercados consumidores é o cidadão, que já está preocupado com o meio ambiente e tem expectativa de diminuir sua conta de energia“. A economia em função do desligamento do chuveiro elétrico pode chegar a 40% dos gastos com a conta de luz. ”Ele alerta que os picos de energia provocados pelo uso do chuveiro por milhares de pessoas entre as 18h e 20h obrigam as concessionárias a investir pesado na infra-estrutura da rede, sendo que no restante do dia ela opera em situação ociosa.
De acordo com diretor do Departamento de Energia Solar (Dasol) da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), Carlos Faria Café, apesar de somente 1,48% de todos os domicílios do país, ou 730 mil residências, utilizarem aquecimento solar, apenas no ano passado foram economizados no Brasil cerca de 620 Gwh, energia suficiente para abastecer 350 mil residências do país, consumindo, cada uma, cerca de 145 kWh por mês.
Ainda segundo Carlos Faria, o mercado de aquecimento solar em 2007 cresceu por volta de 31,9%: "Em 2006 foram instalados 434 mil metros quadrados de coletores solares e no ano seguinte registrou-se a instalação de 573 mil metros quadrados".Isso se deve, segundo ele, ao fato de que cada vez mais a instalação de painéis solares faz sentido econômico para os usuários. "As economias de energia com a utilização dessa tecnologia ficam em torno de 60% a 80%, o que reduz o tempo de retorno do investimento para menos de dois anos", explica.