O início das discussões sobre o modelo de desenvolvimento mundial e sua relação com a agenda climática se dá na década de 1960, mas as pesquisas científicas datam de bem antes. O primeiro cientista a falar em aquecimento da atmosfera por emissão de gases foi o francês Jean Baptiste Fourier, com o ensaio Mémoire sur les Températures du Globe Terrestre et des Espaces Planétaires [1] (PDF 153 KB - Baixar Arquivo [2]) (Temperatura da Terra e Espaços Planetários), em 1827. A partir de 1859, o físico irlandês John Tyndall realizou uma série de testes em seu laboratório para tentar entender a natureza desses gases. Em 1896, o químico sueco Svante August Arrhenius demonstrou em artigo a influência do dióxido de carbono no efeito estufa.
Notícias de outros tempos |
| Esfria: Los Angeles Times 7/10/1912 “QUINTA ERA GLACIAL ESTÁ A CAMINHO. RAÇA HUMANA TEM DE LUTAR POR SUA EXISTÊNCIA CONTRA O FRIO” |
| Esquenta: The New York Times 10/08/1952 “NÓS APRENDEMOS QUE O MUNDO SE TORNOU MAIS QUENTE NO ÚLTIMO MEIO SÉCULO” |
| Esfria: New Scientist 1975 “A AMEAÇA DE UMA NOVA ERA GLACIAL PRECISA AGORA SER COLOCADA AO LADO DA GUERRA NUCLEAR COMO UMA PROVÁVEL FONTE DE MORTE E MISÉRIA INDISCRIMINADAS PARA O GÊNERO HUMANO” |
| Esquenta: The Washington Post 18/01/2006 “ALTA DAS TEMPERATURAS PODE, LITERALMENTE, ALTERAR OS FUNDAMENTOS DA VIDA DO PLANETA” |
| Fonte:Revista Retrato do Brasil- setembro de 2007 |
A elevação da temperatura e suas causas foram objeto de estudo em 1935. O engenheiro civil britânico Guy Callendar verificou o aumento de temperatura de quase meio grau centígrado entre 1890 e 1935.
Nas três décadas seguintes, a temperatura média global começou a baixar e abriu o debate sobre a possibilidade do mundo entrar em uma nova era glacial (entenda a questão das eras glaciais na seção Ciência do Clima). Em 1957, o químico norte-americano Charles Keeling criou um mecanismo de medição dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera.
* Mais sobre a evolução do pensamento científico sobre as mudanças climáticas na seção Que fenômeno é este? [3]
Em 1963, a organização internacional The Conservation Foundation preparou uma importante conferência sobre as mudanças climáticas. Os participantes do encontro – incluindo cientistas que à época monitoravam os níveis de dióxido de carbono do ar, como Keeling – começaram a entender o aquecimento decorrente do efeito estufa como um problema ambiental e potencialmente perigoso para o ecossistema e para os seres humanos.
O documento resultante do debate, Implications of Rising Carbon Dioxide Content of the Atmosphere (Implicação do aumento do conteúdo de dióxido de carbono da atmosfera), deixava evidente a relação entre o aumento dos gases de efeito estufa e o aquecimento do planeta, como nenhum relatório tinha feito até então.
Dois anos depois, a Comissão Consultiva para a Ciência, que assessora o presidente dos Estados Unidos (na época, Lyndon Baines Johnson), passou a alertar para as causas humanas do fenômeno. Foi o primeiro reconhecimento oficial norte-americano de que as mudanças climáticas poderiam ser causadas por atividades humanas, e que o mundo poderia sofrer graves conseqüências com o fenômeno.
Considerações sobre as mudanças do clima ao longo da história representaram 1,8% do volume total de matérias publicadas sobre o tema em 50 jornais brasileiros, entre 2005 e 2007.
Fonte: Pesquisa Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira. ANDI e Embaixada Britânica.
Na década de 1970, houve diversas declarações da comunidade científica alemã sobre os problemas antropogênicos relacionados às alterações climáticas, tais como a poluição atmosférica e o uso de aerossóis, de acordo com os economistas Peter Weingart, Anita Engels e a lingüista Petra Pansegrau, todos alemães, na pesquisa Risks of communication: discourses on climate change in science, politics, and the mass media (Riscos da comunicação: discursos sobre a mudança climática na ciência, política e meios de comunicação de massa), publicada no ano 2000.
Em 1972, em Estocolmo, teve início a primeira discussão internacional a respeito de meio ambiente e desenvolvimento, na Conferência sobre Meio Ambiente Humano da Organização das Nações Unidas, embora a declaração final do encontro, que estabeleceu princípios de atuação para os países, não mencionasse elementos referentes a alterações climáticas. Já em 1987, o Relatório Brundtland, realizado pela ONU para avaliar os resultados de Estocolmo, já enfatizava problemas ambientais como o aquecimento global, algo ainda novo na época.
* Mais sobre Estocolmo e Relatório Brundtland nas seções Estocolmo 1972: começam as negociações [4] e Relatório Brundtland e a sustentabilidade [5]
Durante a década de 1980, meteorologistas chegaram a avanços significativos sobre o estudo do sistema climático planetário usando análises de computador, conhecidas como Global Circulation Models (Modelos de Circulação Global). Outra iniciativa importante, em 1988 o cientista James Hansen, da NASA, deu um testemunho à Comissão de Ciência do Senado norte-americano – comandada pelo então senador Al Gore – afirmando que as causas das Mudanças Climáticas eram também antropogênicas.
Links:
[1] http://www.scribd.com/full/7506815?access_key=key-1brccyh9zsohhfu1inx
[2] http://www.mudancasclimaticas.andi.org.br/download.php?path=16zwpkyt5m73frhl6fis.pdf
[3] http://www.mudancasclimaticas.andi.org.br/node/656
[4] http://www.mudancasclimaticas.andi.org.br/node/90
[5] http://www.mudancasclimaticas.andi.org.br/node/91