Terça-feira, 9 de Março de 2010 - 14:22
Diagnósticos da crise / Em busca de alternativas

Ecoeconomia: uma reestruturação global

Os apontamentos do professor Jorge Luiz Ferreira, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (ver em Crescimento com Preservação), seguem a linha da proposta de mudança de rumos para o desenvolvimento que encontra mais reverberação entre especialistas: a Ecoeconomia. O conceito, criado pelo economista e ambientalista norte-americano Lester Brown, também fundador do Worldwatch Institute, defende, entre outras ações, a substituição dos combustíveis fósseis por energias renováveis, especialmente a eólica e a solar, a criação de novos sistemas de transporte, a reciclagem dos produtos, a reestruturação do sistema tributário (com aumento de impostos de atividades que degradam o meio ambiente, como a criação de produtos derivados de combustíveis fósseis), e subsídios para ações ambientalmente construtivas.

Brown afirma que a “relação cada vez mais estressada entre a economia e o ecossistema da Terra está causando prejuízos econômicos cada vez maiores” e que é preciso que economistas e ecólogos se unam em torno de uma proposta para o futuro. “Talvez o maior desafio que enfrentamos seja a mudança de uma economia energética baseada no carbono para outra baseada no hidrogênio, saindo basicamente dos combustíveis fósseis para fontes renováveis de energia, como solar, eólica e geotérmica”, diz o economista no livro Ecoeconomia (PDF 784 KB - Baixar Arquivo), lançado no Brasil, em 2003.

Segundo ele, de acordo com um inventário de recursos eólicos do Departamento de Energia dos Estados Unidos, três dos estados mais ricos em termos de vento – Dakota do Norte, Kansas e Texas – possuem potencial eólico suficiente para atender à demanda nacional de eletricidade. A China poderá duplicar sua geração elétrica atual apenas com o vento. O potencial offshore da Europa é suficiente para satisfazer às necessidades continentais. A Associação Européia de Energia Eólica, que em 1996 havia estabelecido uma meta de 40.000 megawatts para a Europa até 2010, elevou recentemente esta meta para 60.000 megawatts.