Ecoeconomia: uma reestruturação global
Os apontamentos do professor Jorge Luiz Ferreira, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (ver em Crescimento com Preservação), seguem a linha da proposta de mudança de rumos para o desenvolvimento que encontra mais reverberação entre especialistas: a Ecoeconomia. O conceito, criado pelo economista e ambientalista norte-americano Lester Brown, também fundador do Worldwatch Institute, defende, entre outras ações, a substituição dos combustíveis fósseis por energias renováveis, especialmente a eólica e a solar, a criação de novos sistemas de transporte, a reciclagem dos produtos, a reestruturação do sistema tributário (com aumento de impostos de atividades que degradam o meio ambiente, como a criação de produtos derivados de combustíveis fósseis), e subsídios para ações ambientalmente construtivas.
Brown afirma que a “relação cada vez mais estressada entre a economia e o ecossistema da Terra está causando prejuízos econômicos cada vez maiores” e que é preciso que economistas e ecólogos se unam em torno de uma proposta para o futuro. “Talvez o maior desafio que enfrentamos seja a mudança de uma economia energética baseada no carbono para outra baseada no hidrogênio, saindo basicamente dos combustíveis fósseis para fontes renováveis de energia, como solar, eólica e geotérmica”, diz o economista no livro Ecoeconomia (PDF 784 KB - Baixar Arquivo), lançado no Brasil, em 2003.
Já no artigo “A ecoeconomia oferece alternativa ao petróleo do Oriente Médio”, publicado no site da WWI/UMA (Universidade da Mata Atlântica), Brown diz que a necessária reestruturação da economia global já começou. “Durante a última década, o uso de energia eólica cresceu 25% ao ano, das células solares 20% e da energia geotérmica, 4% ao ano. Num contraste gritante, o petróleo expandiu-se apenas 1% ao ano e o consumo de carvão caiu 1% ao ano. O gás natural, destinado a ser o combustível de transição da era do combustível fóssil para a do hidrogênio, cresceu 2% ao ano”, comemora.
Segundo ele, de acordo com um inventário de recursos eólicos do Departamento de Energia dos Estados Unidos, três dos estados mais ricos em termos de vento – Dakota do Norte, Kansas e Texas – possuem potencial eólico suficiente para atender à demanda nacional de eletricidade. A China poderá duplicar sua geração elétrica atual apenas com o vento. O potencial offshore da Europa é suficiente para satisfazer às necessidades continentais. A Associação Européia de Energia Eólica, que em 1996 havia estabelecido uma meta de 40.000 megawatts para a Europa até 2010, elevou recentemente esta meta para 60.000 megawatts.

















