Ricos ou emergentes: quem paga a conta?
Um dos grandes “nós” do debate internacional é justamente saber quem faz o quê e quem pagará a conta pelas ações necessárias para enfrentar as mudanças climáticas. De um lado, os países desenvolvidos como responsáveis históricos pelos gases emitidos na atmosfera. Do outro, as nações em crescimento, que querem assegurar o direito de crescer economicamente, o que implica em aumentar suas emissões. No meio da discussão, o princípio das “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”.
No entanto, o cenário que vem sendo construído aponta para esforço conjunto, onde cada nação deve fazer o que puder, independente de responsabilidade histórica ou não. Em uma análise mais crítica, o que temos hoje é a seguinte situação: os países ricos, principalmente na Europa, já deram passos significativos em suas políticas ambientais, mas ainda não alteraram os seus padrões de produção e consumo. Já países em desenvolvimento, como o Brasil, ainda carecem de políticas que assegurem o crescimento sustentável, baseado em um novo modelo. O erro é crescer nos mesmos moldes do passado, pois a reprodução dos padrões desenvolvimentistas dos países ricos causará grande impacto ambiental.
Ao falar de responsabilidades também é necessário destacar o impacto das empresas multinacionais e transnacionais que se deslocam para países em desenvolvimento em decorrência de questões econômicas e das conseqüências da industrialização e do progresso gerado por sua chegada. Elas procuram os países em desenvolvimento tanto por causa de mão de obra mais barata quanto por conta de legislações ambientais menos restritivas, entre outros fatores. Ambos diminuem o custo final do produto. Afinal, enquanto os países têm a função de desenvolver leis mais rígidas de proteção ambiental, as empresas devem ser coerentes e garantir a uniformização de seus padrões de acordo com as premissas de um desenvolvimento sustentável”, afirma.
Outro ponto a ser ressaltado é a inclusão da agenda climática nas rodadas de negociação sobre comércio, tendo em vista que, até então, o custo ambiental não é levado em consideração em grande pare das decisões, a exemplo do que ocorreu na Rodada de Doha de julho de 2008, quando o debate sobre mudanças climáticas nas negociações em torno do livre comércio e da diminuição de barreiras comerciais como agenda de desenvolvimento não ocorreu.

















