A AGENDA CLIMÁTICA
Nas últimas décadas, com a intensificação dos fenômenos naturais – ondas de calor, furacões, enchentes e aumento do nível do mar –, governos, comunidade científica, setor privado, organizações não-governamentais e a sociedade de modo geral retomaram o debate sobre os rumos da economia mundial, o modelo de desenvolvimento até então dominante e sobre como mitigar indesejáveis implicações para o futuro. Afinal, uma mudança radical na geografia física do mundo resultaria inevitavelmente em alterações importantes na geografia humana – o local onde as pessoas vivem e o seu modo de vida.
A febre da Terra e a causa humana
Foto: Pedro Rubens
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Estudos científicos apontam que, devido ao aumento da concentração na atmosfera de gases de efeito estufa (GEE), resultantes principalmente da queima de combustíveis fósseis (carvão mineral, petróleo e gás natural) e da derrubada de florestas tropicais, a temperatura do planeta subiu quase 1 grau centígrado nos últimos 100 anos. Algumas regiões chegaram a aquecer até 2 graus. O aumento, que pode parecer pequeno à primeira vista, já ocasionou elevações do nível do mar e derretimento de geleiras nessas localidades.
A publicação e massiva divulgação do quarto relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações do Clima (IPCC), em 2007, colocaram de forma mais enfática a questão da responsabilidade do ser humano no processo de mudanças climáticas pelo qual a Terra está passando. O documento apontou 95% de certeza científica da influência antropogênica no aquecimento do planeta. Ganharam fôlego renovado os debates sobre alteração dos padrões de produção/consumo e modelo de desenvolvimento econômico.
* Mais sobre elevação da temperatura e influência antropogênica nas seções Que fenômeno é este? e O poder da ação humana
O clima na imprensa
Entre os artigos, editoriais, entrevistas e matérias sobre mudanças climáticas publicados por 50 jornais brasileiros, entre julho de 2005 e junho de 2007, 13,1% abordaram alguma perspectiva de modelo de desenvolvimento.
Fonte: Pesquisa Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira. ANDI e Embaixada Britânica.
Nesse sentido, o alerta colocado pelo Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008 (PDF - 8.730 KB Baixar Arquivo) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano (PNUD) de que “o mundo tem menos de uma década para mudar o seu rumo” e de que “não há assunto que mereça atenção mais urgente, nem ação mais imediata” é algo que conduz ao entendimento de que a questão das mudanças climáticas não se restringe a um debate puramente científico ou, no máximo, de caráter ambientalista (num sentido reducionista). O alerta, defendem as Nações Unidas, está no cerne das reflexões sobre o desenvolvimento dos Estados Nacionais e suas sociedades daqui para frente.

















