Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010 - 22:08
Uma pauta quente

Clima e imprensa

Foto: Pedro Rubens

“O mundo tem menos de uma década para mudar o seu rumo. Não há assunto que mereça atenção mais urgente – nem ação mais imediata” (PNUD – ONU)

Bem-vindo! Este é um portal para compreender os fenômenos conhecidos como “mudanças climáticas”. Este é um espaço que propõe o debate sobre o modo de desenvolvimento que almejamos para as nossas sociedades, sua viabilidade e sustentabilidade. Realizado pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância – ANDI em aliança com a Embaixada Britânica no Brasil e Conselho Britânico, este portal é especialmente editado para jornalistas, pesquisadores e para pessoas e organizações que atuam como fontes de informação à imprensa.

O alerta do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano (Pnud), em seu Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008 (PDF 8.730 KB - Baixar Arquivo), enfatiza o imediatismo com que as ações de enfrentamento das mudanças do clima devem ser tomadas. O documento destaca, ainda, a vulnerabilidade das populações mais pobres, quando afirma que testemunhamos, em primeira mão, o que pode ser o início do maior retrocesso em desenvolvimento humano.

A urgência com que a questão climática se apresenta traz à tona o debate sobre o modelo de desenvolvimento trilhado pela humanidade desde antes da Revolução Industrial e desafia nossa capacidade de “re-inventar a roda”. As mudanças climáticas são um tema que extrapola os muros da ciência ou os interesses de grupos e que já produzem alterações na política, na economia e na vida cotidiana das pessoas (onde mais claramente os impactos já vêm sendo percebidos).

O clima na imprensa

Todas as informações encontradas neste portal convergem para ampliar a reflexão sobre os resultados de uma ampla análise de mídia que buscou detectar, em detalhes, como 50 jornais de todos estados brasileiros cobriram o tema mudanças climática, entre julho de 2005 e junho de 2007.

Os resultados dessa análise estão distribuídos por todas as seções do portal, onde procuramos iluminar questões que podem ajudar os profissionais de imprensa na busca de reportagens mais bem contextualizadas e com novos ângulos de investigação. Sem embargo, uma visão mais aprofundada acerca de questões fundamentalmente jornalísticas está disponível na seção Tribuna de todas as vozes.

* A análise de mídia pode ser lida em sua íntegra no documento Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira: uma análise de 50 jornais, no período de julho de 2005 a junho de 2007 (PDF 1.188 KB - Baixar Arquivo) .


O PAPEL DO JORNALISMO

Por que o jornalismo deve ser considerado um ator central nos esforços globais para o enfrentamento dos desafios postos pela agenda das mudanças climáticas? As discussões que derivam desse questionamento foram fundamentais para a decisão da ANDI e da Embaixada Britânica de produzir um portal que tem como público-alvo prioritário os jornalistas.

Ainda que esse debate esteja aprofundado na seção Tribuna de todas as vozes, são estas algumas das considerações essenciais sobre a relação mídia-mudanças climáticas:

  • O tema mudanças climáticas se configura como uma questão da mais alta relevância para as sociedades contemporâneas.
  • Exatamente por isso, é tema a ser agendado de forma prioritária entre a população em geral e, sobretudo, entre os chamados tomadores de decisão e formadores de opinião.
  • Dada a relevância da questão, a necessidade de produção e disseminação de “informação contextualizada” é requisito inadiável.
  • Porque nascem e nascerão políticas públicas (específicas e transversais) derivadas do desafio da humanidade frente às mudanças climáticas, deve a imprensa estar disposta e capacitada para uma adequada cobertura dos debates e das decisões que levarão à formulação das políticas, e ainda mais para a cobertura das implementações dessas mesmas políticas e seus efeitos.
  • Em eventuais cenários de conflito e escassez (nos níveis local, regional ou global), podem estar ameaçadas as garantias de acesso à informação e à liberdade de expressão pública de dados, fatos, idéias, críticas e propostas. O jornalismo de qualidade – plural, independente, crítico e responsável – é peça fundamental para a boa governança e para a transparência nas sociedades democráticas, especialmente em momentos de extrema polarização de interesses, conhecimentos e práticas.
  • O jornalismo tem como funções fundamentais, exatamente:
    1. agendar os temas prioritários para as democracias contemporâneas;
    2. prover informação contextualizada sobre esses mesmos temas;
    3. atuar como fiscal ( "cão de guarda” ou watchdog, para usar expressão anglo-saxônica) dos formuladores e executores de políticas públicas, colaborando para elevar o nível público de transparência (accountability) dos mesmos.

Assim, as três importantes funções da mídia noticiosa nas sociedades democráticas – agendamento; informação contextualizada; e fiscalização das políticas públicas – constituem os fios condutores da relação mídia e mudanças climáticas, ao longo das reflexões que serão traçadas neste portal. Na prática, isso significa que buscamos organizar nossas recomendações à imprensa a partir da idéia central que subsiste por trás de tais características do jornalismo.

Por isso, entendemos ser relevante apresentá-las muito brevemente nas páginas seguintes.