Jornalismo plural
Este portal parte do pressuposto de que as mudanças climáticas, suas causas, seus principais efeitos e várias das soluções de mitigação e adaptação estão identificados de maneira definitiva – e, logo, serão passíveis de pouca ou nenhuma divergência. Mesmo assim, entendemos ser importante salientar como o princípio básico do jornalismo – ouvir e apurar opiniões diversas e antagônicas – pode e deve ser respeitado. Este é objetivo central desta seção.
Apesar da relevância de se promover uma ampla discussão, a partir de diferentes enfoques, chama a atenção o fato de que apenas 9,5% dos textos veiculados pelos 50 jornais analisados pela pesquisa "Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira" (PDF 1.188 KB - Baixar Arquivo) apresentam opiniões divergentes – mesmo em um cenário onde 39% dos textos analisados mencionam mais de uma fonte de informação. Esse aspecto merece alguma reflexão.
Existe uma polêmica gerada por posicionamentos críticos referentes à evidência científica em relação à existência das mudanças climáticas e suas conseqüências, bem como de suas causas antropogênicas. O debate não é simplista. De um lado, utiliza-se a argumentação – nem sempre válida para todos os perfis de noticiário – de que é princípio fundamental do jornalismo a apresentação de um tratamento editorial equilibrado entre diferentes opiniões. De outro, pesquisadores da área de jornalismo recordam que a tese da cobertura equilibrada – mesma quantidade de linhas para um lado e para o outro – embute uma armadilha: é muito mais fácil explicar o status quo do que as alterações no discurso corrente.
O clima na imprensa
Poucas matérias sobre mudanças climáticas publicadas entre 2005–2007 em 50 jornais brasileiros trazem opiniões divergentes (9,5%). Nelas, as oposições dizem respeito a pontos sobre os quais, de fato, pode haver conflito: as soluções que devem ser implementadas (44,2%) e a real dimensão das mudanças climáticas (28,4%).
Fonte: Pesquisa Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira. ANDI e Embaixada Britânica.
Esse debate pode estar fora de foco, por ambas as partes, quando levamos em conta os aspectos relacionados a seguir:
- Apresentar opiniões divergentes não significa avalizá-las e muito menos descontextualizá-las. Por exemplo, se são dez os artigos científicos contra a existência de causas antropogênicas e mil defendendo sua existência, é preciso alertar o leitor.
- A apresentação dessas opiniões, sempre que necessário, requer a discussão das credenciais dos interlocutores. Por exemplo, é preciso mostrar quem financia as pesquisas conduzidas.
- Ainda que haja questões para as quais há bastante consenso entre a comunidade científica, há outras para as quais existe muita divergência, seja entre pesquisadores ou entre os tomadores de decisão. O convívio democrático implica registrar tais discordâncias.

















