Terça-feira, 23 de Setembro de 2014 - 05:18
Ciência do clima / Que fenômeno é este? / >>

Efeito estufa

Imagine uma estufa: um recinto fechado por vidro cuja finalidade é manter o ambiente interno aquecido apesar de a parte externa estar mais fria. O mecanismo é o seguinte: a luz solar, constituída de uma ampla faixa do espectro eletromagnético que atinge a superfície da Terra, atravessa o vidro e é absorvida pela superfície. Entre essas radiações estão a luz visível, que vai do vermelho ao violeta, e as ondas do infra-vermelho (mais longas), que conduzem o calor. O vidro reflete grande parte dessas ondas longas, mas uma quantidade penetra no interior da estufa.

Numa situação normal, o fato de que todo corpo que absorve energia radiante também a irradia de volta nos levaria a um esfriamento mais rápido. Porém, nesse caso, quando as ondas de calor que penetram na estufa são irradiadas de volta pela sua superfície interna, encontram o vidro da estufa – que as reflete para dentro outra vez, aquecendo o ambiente interno. Se isso não acontecesse, o interior esfriaria.

No caso da Terra se passa a mesma coisa, só que as ondas de calor irradiadas pela superfície terrestre encontram os gases de efeito estufa (e não o vidro), que as refletem de volta, aquecendo a atmosfera. O efeito estufa é necessário para a existência da vida – o problema é que, quando ocorre em excesso, provoca um aumento de temperatura acima do normal.

O clima na imprensa

A discussão ao redor da idéia de “efeito estufa” é, isoladamente, a mais presente na cobertura sobre mudanças climáticas levada a cabo por 50 jornais, no período entre 2005 e 2007. Ela aparece como foco central em 21,6% dos textos.

Fonte: Pesquisa Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira. ANDI e Embaixada Britânica.


GEE, os atores principais

O efeito estufa é uma proteção natural do planeta e sem ele a temperatura média da Terra seria 33°C mais baixa, ficando em torno de 15 graus negativos.

Os Gases de Efeito Estufa (GEE) são responsáveis por reter o calor na atmosfera de modo que a temperatura permaneça dentro de uma faixa de valores apropriada à sobrevivência dos seres vivos e dos ecossistemas.

O gás de efeito estufa mais abundante é o vapor d’água (H2O). Entretanto, ele não contribui para o aumento desse efeito. Isso porque, embora suas moléculas tenham um alto poder de refletir as ondas longas (a causa do efeito estufa), a quantidade desse vapor na atmosfera se mantém constante. Até mesmo quando a temperatura aumenta, o equilíbrio desses vapores é mantido em um controle natural dos processos de condensação e evaporação. Diante disso, na prática, não há interferência desse fator no incremento da retenção do calor. Além do mais, não há impacto humano direto nos níveis de vapor d’água. H20

Já outros gases intensificados pelas atividades humanas contribuem para o aumento do efeito estufa e conseqüentemente para o aquecimento do planeta.
Vejamos quanto esses gases impactam no aumento do efeito estufa:

  • Dióxido de carbono (CO2) – 63% CO2
  • Metano (CH4) – 18,6% CH4
  • Óxido nitroso (N2O) – 6,2% N20
  • Clorofluorcarbonos (CFCs) – 12%

A soma desses valores resulta em um total de 99,8%, restando apenas 0,2% para todos os outros gases que contribuem para o fenômeno.

Por sua vez o nitrogênio (N2) e o oxigênio (O2), que constituem 99% dos gases presentes na atmosfera, exercem quase nenhum efeito estufa. N2 O2

É importante que se tenha em conta, ao analisar esses dados, que os percentuais mencionados referem-se à contribuição total (humana e natural) para o efeito estufa. Já o aumento da quantidade de um determinado gás na atmosfera refere-se exclusivamente às atividades antrópicas.

O clima na imprensa

Cerca de 45% dos textos sobre mudanças climáticas veiculados em 50 periódicos, no período 2005–2007, mencionam gases. O mais presente nesse material é o dióxido de carbono.

Gases Mencionados %
Dióxido de carbono 25,68
Gases em geral 15,45
Metano 5,22
Óxido nitroso 2,31
Monóxido de carbono 2,21
CFCs 1,30
Dióxido de enxofre 0,40
Aerossóis 0,30
Ozônio 0,10
Outros 0,30
Não menciona 55,07
Total    *

* A tabela pode somar mais de 100%, pois um mesmo texto poderia mencionar mais de um gás

Fonte: Pesquisa Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira. ANDI e Embaixada Britânica (com adaptações).

Dióxido de carbono (CO2)

Este gás é responsável por cerca de 63% do efeito estufa total. Além de ser o GEE mais abundante, devido à quantidade com que é emitido, é o que tem maior contribuição para o aquecimento global: em 2004, representou 77% das emissões antropogênicas globais.

O CO2 possui uma meia vida atmosférica estimada em cerca de 105 anos. A meia vida é o tempo necessário para que a massa de determinada substância presente na natureza caia à metade do que existia originalmente. Nesse caso, após 105 anos, a massa de CO2 se reduz à metade, após outros 105 anos se reduz à metade da metade, e assim por diante. Em outras palavras, as emissões de hoje têm efeitos de larga duração, podendo resultar em impactos no regime climático ao longo de vários séculos.

A concentração de CO2 aumentou cerca de 36% no período de 1750 a 2006. Entre suas principais fontes de origem antropogênica estão a queima de combustíveis fósseis (cerca de 82%) e o desmatamento de florestas tropicais (cerca de 18%). Uma porcentagem mínima é de responsabilidade de outros fatores. CO2

O uso de combustíveis fósseis acontece em grande intensidade no transporte, nos sistemas de aquecimento e resfriamento em construções, e na produção de cimento, entre tantas outras atividades.