Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010 - 22:19
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O que já mudou

O clima na imprensa

O material jornalístico sobre mudanças climáticas produzido por 50 jornais, entre 2005 e 2007, trouxe, em 17% dos casos, evidências que explicitam a ocorrência do fenômeno.

Fonte: Pesquisa Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira. ANDI e Embaixada Britânica.

O aumento médio da temperatura global é de 0,76ºC em relação a 1850, o que significa que algumas regiões sofreram elevações muito maiores. Regiões do Ártico tiveram aquecimento da ordem de 2ºC. Ao longo dos últimos 14 anos, foram observados os 12 anos mais quentes em uma longa série de 650 milênios.

Tal aumento de temperatura ocasionou a elevação do nível do mar, devido à própria expansão térmica da água, além do derretimento de geleiras e da água congelada da Antártica, do Ártico e da Groenlândia. A cobertura de neve no hemisfério norte sofreu uma redução significativa.

A figura 1 ilustra algumas dessas alterações no clima físico, por meio da apresentação de séries históricas. É importante observar que temos, de 1850 a 2005, um aumento de 0,76ºC na temperatura média terrestre e uma elevação de 160 mm no nível médio do mar. Registra-se também uma redução de 1,8 milhão de km² na cobertura de neve no hemisfério norte (nesse caso, porém, a margem de erro é maior).

Figura 1
Séries históricas da temperatura média global, nível médio do mar e cobertura de neve no hemisfério norte. Os valores estão compilados como diferenças em relação à média no período de 1961 a 1990.


O ciclo hidrológico

Os cientistas identificaram ainda aumentos estatisticamente confiáveis na quantidade de vapor de água na atmosfera, na precipitação pluvial em regiões temperadas, na intensidade de furacões e na freqüência e intensidade de períodos de seca (em especial no continente africano) e de ondas de calor (em regiões temperadas). Essas alterações caracterizam claramente um quadro de mudanças no clima global.

A figura 2 mostra o aumento da quantidade de vapor de água na atmosfera, indicando maior disponibilidade de umidade, com conseqüente intensificação do ciclo hidrológico global. Essas alterações no padrão de precipitação podem estar gerando secas em pontos sensíveis de nosso planeta. O índice de secas – Palmer Drought Severity Index (PDSI) – para o período de 1900 a 2002 mostra que após 1980 foi observado um aumento significativo de secas em várias regiões.

Em particular, praticamente todo o continente africano está mais suscetível a secas, embora o fenômeno também atinja outras áreas do planeta, como a parte central e o nordeste do Brasil. Essas alterações no ciclo hidrológico têm forte potencial para gerar reduções na produtividade agrícola, entre outras implicações socioeconômicas importantes.

Figura 2
Aumento global da quantidade de vapor de água na atmosfera, indicando uma maior disponibilidade de umidade com conseqüente intensificação do ciclo hidrológico global.