Uma visão por setores
Existem diferentes maneiras de inventariar as emissões de gases de efeito estufa. Para medir as emissões humanas, o IPCC avalia as contribuições dos seguintes setores:
Geração elétrica: exclui refinarias e fornos de carvão
Indústria: inclui refinarias e fornos de carvão.
Transporte individual, coletivo e de carga: inclui transporte internacional (marítimo e da aviação), excluindo-se a pesca. Exclui uso de veículos e maquinários utilizados na agricultura e em atividades florestais.
Edificações comerciais e residenciais: inclui o uso tradicional de biomassa e a parcela de emissões provenientes da geração de eletricidade centralizada.
Agricultura: inclui as emissões de gases não-CO2 pela queima de resíduos agrícolas e queima de vegetação no cerrado. Também inclui as emissões por metano na pecuária. As emissões/remoções de CO2 por solos agrícolas não estão incluídos. CO2
Mudança de uso do solo e florestas: os dados incluem emissões de CO2 por desmatamento, por decomposição da biomassa acima do solo que permanece após o desmatamento ou corte seletivo de madeira, e CO2 por queima de turfa e decomposição de solos drenados de turfa. CO2
Disposição final de resíduos: disposição final de resíduos sólidos e tratamento de esgotos domésticos e efluentes industriais. Inclui aterros sanitários e emissões de óxido nitroso pela incineração de resíduos.
As pesquisas do IPCC constataram que o maior crescimento das emissões globais de Gases de Efeito Estufa, entre 1970 e 2004, se deu no setor de oferta de energia (145%). O aumento, nesse período, das emissões diretas dos transportes foi de 120%; da indústria, 65%; das mudanças no uso da terra e florestas, 40%. Já entre 1970 e 1990, as emissões diretas da agricultura expandiram em 27% e as das edificações, em 26%, enquanto as do último grupo se mantiveram aproximadamente nos níveis de 1990 desde então.

O uso de energia
A energia, responsável pelo maior aumento de emissões de gases de efeito estufa entre 1970-2004, é consumida nas atividades humanas, é formada por eletricidade e os combustíveis sólidos, líquidos e gasosos. Sua utilização está tão impregnada na vida cotidiana que é difícil imaginar a vida sem ela.
Em todo o mundo, a economia moderna depende da disponibilidade de muita energia e em diferentes formas. E esse consumo, que não pára de crescer, tem finalidades diferentes: nas residências, o consumo de energia está relacionado ao conforto, ao lazer, à comunicação e à obtenção de algum serviço de interesse pessoal. Nos demais setores da economia, a energia é sempre um insumo que serve para produzir algo.
Segundo a Agência Internacional de Energia, 80,3% das fontes primárias de energia consumida no mundo vêm da queima de combustíveis fósseis causadores de efeito estufa: carvão mineral (25,1%), gás natural (20,9%) e, sobretudo, petróleo (34,3%). Esses dados, de 2004, indicam que o restante da energia vem de combustíveis renováveis e lixo (10,6%), hidrelétricas (2,2%), nuclear (6,5%) e outras (0,4%), incluindo nesta última as energias geotérmica, solar, vento, calor etc. Alterar a composição dessas porcentagens é um grande desafio.

















