Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014 - 04:52
O papel da imprensa / A cobertura no Brasil

Metodologia da pesquisa

O estudo Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira (PDF 1.188 KB - Baixar Arquivo) avaliou uma amostra de 997 editoriais, artigos, colunas, entrevistas e matérias veiculadas entre 1º de julho de 2005 e 30 de junho de 2007. Para efeitos comparativos, além dos textos relacionados ao debate sobre as mudanças climáticas, foi também contabilizado um segundo conjunto de notícias. Este material de comparação poderia ter como foco qualquer tema veiculado nos mesmos dias da amostra sobre mudanças climáticas. Optou-se, entretanto, por avaliar os conteúdos relacionados à agenda ambiental mais extensa (excluindo-se o debate sobre as alterações climáticas), pois isto traria o ganho adicional de se verificar como a cobertura ambiental evolui paralelamente àquela relacionada às alterações climáticas, e vice-versa.

A meta central da pesquisa foi traçar um perfil quantitativo, as principais tendências e as prováveis implicações qualitativas da cobertura sobre mudanças climáticas realizada por 50 jornais impressos brasileiros. Para tanto, lançamos mão de um método de avaliação da produção jornalística conhecido como “análise de conteúdo”.

Proporção de textos da amostra sobre mudanças climáticas por jornal pesquisado
 
Jornal %
O Estado de S. Paulo - São Paulo 8,3
Gazeta Mercantil - São Paulo 6,7
Valor Econômico - São Paulo 6,0
Folha de S. Paulo - São Paulo 5,9
O Globo - Rio de Janeiro 5,8
Estado de Minas - Minas Gerais 4,4
Jornal do Brasil - Rio de Janeiro 3,9
Diário do Nordeste - Ceará 3,8
O Popular - Goiás 3,1
Correio Braziliense - Distrito Federal 2,9
Gazeta do Povo - Paraná 2,9
Jornal do Commercio - Pernambuco 2,8
A Tarde - Bahia 2,7
Correio do Povo - Rio Grande do Sul 2,5
O Povo - Ceará 2,4
Diário de Pernambuco - Pernambuco 2,3
Zero Hora - Rio Grande do Sul 2,3
Diário da Manhã - Goiás 2,2
Hoje em Dia - Minas Gerais 2,2
Diário Catarinense - Santa Catarina 1,9
Jornal de Brasília - Distrito Federal 1,8
O Liberal – Pará 1,8
A Gazeta - Espírito Santo 1,7
Correio da Paraíba – Paraíba 1,7
Jornal da Tarde - São Paulo 1,6
Diário do Amazonas – Amazonas 1,5
Correio do Estado - Mato Grosso do Sul 1,5
A Crítica - Manaus – Amazonas 1,3
Correio da Bahia – Bahia 1,3
O Estado do Maranhão – Maranhão 1,3
A Gazeta - Mato Grosso 1,1
Diário do Pará – Pará 1,1
Tribuna do Norte - Rio Grande do Norte 1,1
Meio Norte – Piauí 1,0
Diário de Cuiabá - Mato Grosso 0,9
A Notícia - Santa Catarina 0,6
O Rio Branco – Acre 0,5
Folha de Londrina – Paraná 0,5
Diário do Amapá – Amapá 0,4
Jornal do Tocantins – Tocantins 0,4
Gazeta de Alagoas – Alagoas 0,3
Diário de Natal - Rio Grande do Norte 0,3
Folha de Boa Vista – Roraima 0,3
Tribuna de Alagoas – Alagoas 0,2
O Norte – Paraíba 0,2
A Gazeta – Acre 0,1
O Dia - Rio de Janeiro 0,1
O Estadão do Norte – Rondônia 0,1
Total 100,0

A aplicação deste tipo de metodologia permite avaliar as tendências quantitativas dos objetos de análise. Diferentemente dos modelos de estudo sobre o discurso, a análise de conteúdo não busca identificar subjetividades, intencionalidades e potencialidades possivelmente presentes nos recursos lingüísticos empregados. A questão aqui, vale ressaltar, não é apontar se um ou outro método é ou não pertinente, mas apenas ressaltar que eles se prestam a objetivos diferentes.

De acordo com o estudo Mass communication research methods (Métodos de pesquisa em comunicação de massa), publicado em 1998, o método da análise de conteúdo:

 [...] segue um conjunto claro de passos, o que é uma de suas características mais atrativas, ainda que também vulnerável a abusos. Fundamentalmente, aqueles que optam pela análise de conteúdo para o estudo da mídia devem reconhecer que tal método não é nada mais que um conjunto de diretrizes sobre como analisar e quantificar o conteúdo midiático de forma sistemática e confiável.

Nesse sentido, o estudo realizado pela ANDI se orientou a partir das seguintes etapas:

  • Definição das listas de palavras-chave utilizadas (realizada com o auxílio de um grupo de consultores);
  • Definição das amostras a serem pesquisadas.
  • Definição de um instrumento para análise das matérias (com apoio dos consultores).
  • Classificação dos textos jornalísticos segundo o instrumento elaborado
  • Inserção no banco de dados para produção dos resultados agregados
  • Análise dos resultados.


Amostragem

Para realização desta pesquisa, foram selecionados eletronicamente textos jornalísticos (editoriais, colunas, artigos de opinião e notícias) com mais de 500 caracteres que contivessem pelo menos uma das 10 palavras-chave referentes a questões ambientais de maneira geral ou pelo menos uma das 79 palavras-chave diretamente relacionadas ao amplo guarda-chuva das mudanças climáticas. Veja aqui a lista de palavras-chave utilizadas na pesquisa.

A seguir, foram construídos dois instrumentos de análise: um, mais simples, aplicado ao conjunto de textos selecionados com fim comparativo (aqueles sobre aspectos ambientais de maior amplitude) e outro, mais complexo, com 141 questões, às quais apenas as notícias com foco em mudanças climáticas foram submetidas.

Para a construção das amostras, três definições foram fundamentais:

  1. O método de clipagem (eletrônico).
  2. Os jornais pesquisados (sempre que possível, os dois principais de cada estado, mais os jornais econômicos).
  3. O método de seleção aleatória dos dias pesquisados (Mês Composto).


Mês Composto

Existem diferentes métodos de amostragem passíveis de serem utilizados para uma pesquisa envolvendo o conteúdo noticioso de veículos de comunicação. Dentre os mais comumente utilizados, estão aqueles que fazem uma composição de um número predefinido de dias ao longo de todo o período disponível. Tal metodologia é denominada Mês Composto e consiste no sorteio de 31 dias ao longo de um ano pesquisado.

Esse tipo de método de seleção de amostras parte do pressuposto de que a cobertura dos distintos veículos apresenta características gerais semelhantes ao longo dos dias da semana. Ou seja, se observarmos um número infinito de segundas, terças, quartas, quintas, sextas, sábados e domingos, verificaremos que os perfis quantitativos da cobertura dentro de cada um desses dias – levando-se em conta as características gerais – é muito parecido.

Evidentemente que este raciocínio não é válido para as coberturas que só podem ser entendidas em uma seqüência temporal específica: por exemplo, se o objetivo é estudar o tratamento editorial acerca de uma campanha de vacinação, não é possível utilizarmos uma amostra sorteada aleatoriamente, sendo necessário que os dias específicos e adjacentes à campanha façam parte do universo analisado. Da mesma forma, se o intuito é verificar como foi a cobertura do lançamento de um determinado Relatório do IPCC, é fundamental que sejam escolhidos os dias que se remetem ao período da divulgação.

Entretanto, se a intenção é analisar a cobertura de saúde como um todo ou a cobertura acerca de mudanças climáticas em geral, não há necessidade de se acompanhar um período seqüencial ou determinado de dias. Se há a impossibilidade operacional de se avaliar o universo total de matérias (dado o volume de textos publicados), a melhor alternativa é a análise de uma seleção aleatória, porém, representativa de dias ao longo do período em foco. Uma avaliação seqüencial e não aleatória (por exemplo, de uma semana corrida dentro de determinado mês) poderia conferir, dentro da cobertura geral, um peso desproporcional a determinado tema que só tenha tido repercussão ao longo daquela semana.

Nesse sentido, como o objetivo da ANDI era auferir as características gerais da abordagem dispensada pela mídia noticiosa ao tema das Mudanças Climáticas, o sistema de amostragem escolhido foi o do Mês Composto. Para cada um dos 12 meses foco de nosso estudo (julho de 2005 a junho de 2006 e julho de 2006 a junho de 2007) foram sorteados 31 dias. As datas sorteadas foram representativas dos dias da semana (ou seja, um número equivalente de segundas, terças, quartas, quintas, sextas, sábados e domingos) e dos meses do ano (meses com 31 dias possuem mais presença na amostra). Assim, foram aleatoriamente escolhidos 62 dias, nos quais foi realizada a busca, nos jornais considerados pela pesquisa, de textos que continham pelo menos uma das palavras-chave inicialmente definidas.


O universo analisado

Observados todos esses procedimentos, foram analisados 997 textos localizados sob o extenso guarda-chuva das mudanças climáticas e 2.811 textos referentes à cobertura geral sobre meio ambiente. Os textos foram obtidos a partir da busca eletrônica realizada em 50 jornais brasileiros. A tabela acima apresenta a lista de jornais e a distribuição percentual de matérias sobre mudanças climáticas para cada um deles.

Todos os textos identificados foram classificados por um grupo de analistas previamente treinados na metodologia. Posteriormente, um conjunto aleatório dessas matérias passou pela revisão de analistas não envolvidos na primeira fase de classificação. Por fim, os questionários foram submetidos à análise de inconsistências do programa estatístico utilizado.

Palavras-chave – Mudanças Climáticas
Questões ambientais amplas
01 Ambiental* (ambientalismo, ambientalista)
02 Biodiversidade
03 Desenvolvimento Sustentável
04 Ecologia
05 Ecossistema
06 Futuro da Terra
07 Futuro do planeta terra
08 Meio ambiente
09 Socioambiental
10 Sustentabilidade
Questões gerais sobre mudanças climáticas
11 Aquecimento Global
12 Cenários Climáticos
13 Clima Global
14 Efeito Estufa
15 Equilíbrio Climático
16 Fenômeno Climático
17 Modelo Climático
18 Mudança Climática
19 Política Verde
20 Sistema Climático
Geração/Efeitos Mudanças Climáticas
21 Camada de Ozônio
22 Carbono Fóssil
23 Carbono Intensivo
24 CFC
25 CO2 CO2
26 Combustíveis Fósseis
27 Desertificação
28 Desmatamento
29 Dióxido de Carbono
30 Emissões de Carbono
31 Emissões fósseis
32 Eventos climáticos extremos
33 HCFCs
34 Hexafluoreto de Enxofre
35 Hidrofluorcarbonetos
36 Metano
37 Óxido Nitroso
38 Perfluorcarbonetos
39 Queimada
40 Savanização
Mudanças climáticas e
política nacional/internacional
41 Biblioclima
 
42 Climate Action Network
43 Conferência das Partes
44 COP
45 Cúpula da Terra
46 Eco 92
47 FBMC
48 Inventário de Carbono
49 Inventário de Emissões
50 IPCC
51 MDL
52 Mecanismo de Desenvolvimento Limpo
53 Mitigação
54 Observatório do Clima
55 Pós-2012
56 Pós-Kyoto e/ou Pós-Quioto
57 Proinfa
58 Protocolo de Kyoto
59 Protocolo de Quioto
60 Prototype Carbon Fund
61 Rio 92
62 UNEP
63 UNFCCC
64 World Conservation Monitoring Center
Mudanças climáticas e economia
65 Biomassa
66 Carbono Neutro
67 Créditos de Carbono
68 Descarbonização da Matriz Energética
69 Economia de Baixo Carbono
70 Eficiência energética
71 Emissões per capita
72 Energia Eólica
73 Energia Limpa
74 Energia Solar
75 Energia Verde
76 Energias renováveis
77 Estabilização de emissões
78 Florestamento
79 Intensidade de Carbono
80 Matriz Energética Limpa
81 Mercado de Carbono
82 Queima de Carvão
83 Redução compensada
84 Redução de emissões
85 Reflorestamento
86 Seqüestro de Carbono
87 Tecnologia Limpa
88 Tecnologia Verde
89 Zoneamento Ecológico Econômico