Liberdade, democracia e direitos
Foto: Olivier Boels |
As intersecções entre o direito à liberdade de opinião e a consolidação dos regimes democráticos estão, desde os tempos da democracia direta ateniense, no centro das discussões relacionadas à melhor formatação do modelo de governo que se almeja. Garantir que todos os cidadãos (apenas os homens livres, naquela época) pudessem expor seus pontos de vista na Ágora grega, por exemplo, era um aspecto de grande relevância para os pensadores de então.
Dois fenômenos posteriores mudaram os rumos desse debate, porém sem alterar sua essência. Primeiro, o vertiginoso crescimento populacional em todas as partes do globo – que impediu, do ponto de vista prático, a participação equivalente de todos os cidadãos nas decisões do Estado. Nesse sentido, passamos a encontrar tanto formas de organização da política nas quais o poder está autocraticamente concentrado nas mãos de poucos (seja pela força, pela suposta designação divina, pela tradição, pela posse de bens materiais, etc.) quanto outras nas quais ele é concedido a alguns pela maioria, por meio de um mecanismo específico (modernamente, as eleições).
Ou seja, com a impossibilidade de um governo de todos,o desafio para os partidários da democracia era (e é) encontrar as melhores ferramentas para que os poucos que de fato governam não se desviem dos anseios da maioria e, mais do que isso, não vilipendiem os direitos das minorias.

















