Novo mapa de culturas agrícolas
Os períodos de estiagem ou de intensificação de chuvas devem se intensificar e provocar diversos grandes impactos na agricultura brasileira, que vive um cenário bastante positivo. Em 2007, a safra de grãos foi recorde.
De acordo com o estudo Aquecimento Global e Cenários Futuros da Agricultura Brasileira (PDF 520 KB - Baixar Aqui), anunciado no início de agosto de 2008, haverá perdas agrícolas de R$ 7,4 bilhões nas safras de grãos do Brasil, em 2020, num cenário mais otimista. No entanto, se for confirmado aumento da temperatura no cenário crítico, os números podem chegar a R$ 14 bilhões em 2070. Atualmente, o setor movimenta R$ 611,8 bilhões, cerca de um quarto da economia brasileira.
O estudo foi coordenado por Eduardo Delgado Assad, chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, e pelo professor Hilton Silveira Pinto, da Universidade de Campinas e do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), que contaram com o apoio da Embaixada Britânica no Brasil.
Nove das principais culturas brasileiras, responsáveis por 86% do total de área plantada no país - algodão, arroz, café, feijão, girassol, mandioca, milho e soja, além da cana-de-açúcar - foram analisadas, levando em consideração dois cenários de temperatura previstos pelo IPCC: aumento de temperatura de 1,4 ºC a 3,8 ºC no fim deste século (cenário mais otimista), ou com altas de 2º a 5,4ºC (pessimista).
Soja
Numa previsão mais drástica, o professor Hilton da Silveira diz que a cultura deve desaparecer do Sul do Brasil. “A Embrapa já está trabalhando em pesquisas de melhoramento genético, mas os resultados precisam chegar rápido”.
Café
Buscará climas mais frios e, portanto, deve descer para os estados do Sul, reduzindo a área de cultivo em São Paulo e Minas. O café arábica, que aborta flores em altas temperaturas, é outro cultivo fragilizado.
Milho, arroz, feijão, algodão e girassol
Todos perdem área de cultivo e produção. Em 12 anos, o milho pode ter uma redução de 12% na área favorável ao plantio. O arroz e feijão, num cenário mais otimista, devem perder respectivamente, R$ 368 milhões e R$ 155 milhões. Já o girassol deverá desaparecer no Sul. No Nordeste, o cultivo de algodão poderá se tornar impossível em 2050.
Mandioca
É a única cultura que deve se beneficiar com o aumento da temperatura, pois não se adapta em regiões de muita chuva e frias. Assim, tende a ter sua área de cultivo ampliada na Amazônia (em decorrência da diminuição das chuvas) e no Sul do país. Haverá perdas no Nordeste, onde é mais consumida atualmente.
Cana-de-açúcar
Impacto positivo e o plantio pode duplicar. “Com o desaparecimento da soja no sul, as áreas podem ser aproveitadas para o cultivo da cana-de-açúcar para produção de etanol”, sugere o professor Hilton Silveira.
O clima na imprensa
A agricultura é o tema central em 1,9% dos artigos, colunas, editoriais, entrevistas e reportagens publicados pela imprensa brasileira sobre mudanças climáticas, entre 2007 e 2008.
Fonte: Pesquisa Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira. ANDI e Embaixada Britânica.
“O Brasil tem tudo para ficar na ponta e apresentarmos soluções viáveis para a agricultura tropical. Competência, seriedade e estudos nós temos, mas precisamos de investimentos”, afirma Eduardo Assad.
O professor Hilton Silveira diz que outras pesquisas estão sendo desenvolvidas para possibilitar o melhoramento genético dos cultivares, mas que alguns são muito sensíveis às variações da temperatura. “É preciso agir muito rápido. Essas pesquisas devem gerar resultados em breve para não haver tantas perdas”, alerta Silveira.
De acordo com o professor, o próximo passo é a inclusão de biocombustíveis e citrus (como laranja, limão e tangerina, por exemplo) em pesquisas que devem ser lançadas em 2009.

















