Paz mundial: o sonho pode acabar?
Foto: Olivier Boels |
Alguns dos cenários futuros que estão sendo desenhados levam a crer que existirá uma situação caótica que pode afetar a paz mundial. É sob essa ótica que um relatório de especialistas norte-americanos, divulgado em novembro de 2007, projeta uma perturbação na ordem econômica e política do planeta.
O documento A Era das Conseqüências (PDF 2.171 KB - Baixar Arquivo) apontou forte tendência de que os países se isolem para poupar seus escassos recursos, com o surgimento de conflitos pelo deslocamento de refugiados das secas e da elevação dos mares.
Produzido por pesquisadores do Center For Strategic and International Studies (Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos), organização sem fins lucrativos norte-americana, o documento traçou três cenários planetários, a distância de uma geração. O trabalho parte de três aumentos de temperatura e tenta identificar a respectiva evolução geopolítica, retirando lições de política externa e de segurança para os Estados Unidos.
Cenário 1 - O primeiro cenário considera um aumento de temperatura média de 1,3 grau centígrado e o ano é 2040. Haveria elevadas tensões fronteiriças provocadas por migrações de grandes grupos, escassez de recursos e doenças.
Cenário 2 - Em um segundo cenário, de 2,6 graus, também em 2040, agravam-se todas estas tendências. Segundo os autores, a própria coesão nacional dos países ficará em dúvida, devido a três fatores: falta de água, escassez de alimentos e migrações em larga escala. Os conflitos serão motivados pelo domínio de recursos, tais como água.
Cenário 3 - O terceiro cenário, definido como de catástrofe, parte de um aumento de 5,6 graus até 2100. Os autores do estudo não excluem o colapso de sociedades ou a guerra geral pelo controle de território. A segurança das nações industrializadas estaria em grande perigo. Na comparação de um participante na discussão, citado no relatório, "um cenário Mad Max, só que mais quente, sem praias e talvez até de maior caos".
"Algumas das conseqüências podem essencialmente envolver o fim da globalização tal qual a conhecemos, pois diferentes partes da Terra se contraem a fim de tentar conservar o que precisam para sobreviver", disse Leon Fuerth, um dos autores do estudo e ex-assessor de segurança nacional do ex-vice-presidente Al Gore, em entrevista à Agência Reuters, em julho de 2007.
ONU
As previsões de impacto das mudanças climáticas na segurança mundial são perigosas. Tanto que, em abril de 2007, o Conselho de Segurança das Nações Unidas debateu, pela primeira vez, o impacto das alterações climáticas na estabilidade política e social do planeta.
Conforme conta o World Socialist Web Site, em matéria de 28/04/2007, a secretária do exterior britânica, Margaret Beckett, presidente do Conselho de Segurança, introduziu o tema na reunião relacionando o fenômeno à paz mundial: “o Conselho de Segurança é o fórum que discute questões que ameaçam a paz e a segurança da comunidade internacional. O que dá início a uma guerra? Lutas pela água. Mudanças de padrões das chuvas. Lutas pela produção de alimentos, pelo uso da terra. Existem algumas grandes ameaças potenciais das mudanças climáticas à nossa economia, mas também à paz e à segurança".
O secretário-geral da ONU, Ban Kimoon, também demonstrou preocupação com o risco representado pelas mudanças climáticas para a segurança internacional. "Isto é especialmente verdade em regiões vulneráveis, que enfrentam diversas tensões ao mesmo tempo - conflitos preexistentes, pobreza e acesso desigual a recursos, instituições fracas, insegurança alimentar e incidência de doenças como HIV/Aids", disse ele.
Além disso, de acordo com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o degelo do Oceano Ártico irá criar rotas marítimas e competição por reservas valiosas de energia, gerando numa corrida internacional que trará novos desafios à segurança global.
Antes navegáveis apenas por meio de submarinos, abertas para a navegação máritma, as águas do Ártico devem se tornar palco de delicadas relações entre países que reivindicam o território próximo ao polo norte. Especialmente no momento em que as regiões do fundo do mar passem a ser campos viáveis de petróleo e gás natural. Atualmente, participam da disputa do território Estados Unidos, Rússia e Canadá.

















