Sexta-feira, 12 de Março de 2010 - 10:45
Soluções / MDL - mecanismo limpo

O mercado de carbono

Os créditos de carbono funcionam como uma moeda ambiental que pode ser comercializada para países que necessitem reduzir suas emissões. Como vimos anteriormente, o Protocolo de Quioto (PDF 123 KB - Baixar Arquivo) estabelece uma cota máxima que cada país pode emitir de gases que provocam efeito estufa. Os países, por sua vez, restringem a emissão das empresas. As empresas que não se tornam mais verdes compram créditos que sobraram daquelas que estão abaixo da cota.

De acordo com o portal de notícias CarbonoBrasil, o mercado de carbono funciona através da comercialização de certificados de emissão de gases do efeito estufa em Bolsas de Valores, fundos ou através de brokers, onde os países desenvolvidos podem comprar créditos derivados dos mecanismos de flexibilização. Esse processo de compra e venda de créditos se dá a partir dos projetos de MDL que podem ser ligados a reflorestamentos, ao desenvolvimento de energias alternativas, eficiência energética, controle de emissões e outros.

* Mais sobre os projetos de MDL na seção O negócio ambiental

Segundo os cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), os fluxos financeiros destinados aos países em desenvolvimento por meio dos projetos do MDL têm o potencial de alcançar níveis da ordem de bilhões de dólares por ano. Esse mecanismo supera os fluxos mediados pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e é comparável aos fluxos de assistência ao desenvolvimento voltados para a área de energia. Entretanto, tem uma ordem de magnitude inferior aos fluxos totais de investimento estrangeiro direto.

Nesse sentido, o mercado global de carbono vem se consolidando como um grande filão. De acordo com levantamento do Banco Mundial, a movimentação financeira em 2007 foi de US$ 64 bilhões, mais que o dobro da registrada no ano anterior (US$ 25 bilhões). São diversos os mercados de comercialização de créditos, cada um com suas particularidades. Na Europa, os valores variam (hoje) entre 28 e 38 dólares. Já os créditos brasileiros variam entre 20 e 26 dólares.

Segundo a especialista Maria Celina de Melo, a variação acontece porque o mercado de carbono é complexo e atribui valores para projetos ainda não registrados. “Neste mercado, a variação é grande pois depende da confiabilidade do projeto, de investidores, etc.” afirma a especialista Maria Celina de Melo.

Independentemente da flutuação, a estimativa de um aumento de demanda por créditos de carbono é muito grande. Segundo a especialista Maria Celina de Melo, espera-se um incremento de 250% na procura em 2009. Se os Estados Unidos aderirem ao Protocolo de Quioto, essa demanda pode crescer para 400%.

O clima na imprensa

Cerca de 16% dos textos sobre mudanças climáticas veiculados por 50 jornais, no período 2005-2007, mencionaram o mercado de carbono. Destes, apenas uma única matéria buscou apresentar indicadores de avaliação desta estratégia.

Fonte: Pesquisa Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira. ANDI e Embaixada Britânica.


Outras formas de mercado

O mercado de carbono também existe fora do contexto do Protocolo, com vários programas voluntários de redução das emissões, como os dos EUA.

A Bolsa do Clima de Chicago (CCX), na sigla em inglês), por exemplo, vem batendo recordes de preços e de volumes. Só em 2007, foram negociados 23 milhões de toneladas. Só nos primeiros cinco meses de 2008 foram 37 milhões. E o preço da tonelada subiu de uma média de US$ 3,50 para US$ 7,40.

De acordo com a organização não-governamental Carbono Brasil, o mercado voluntário abre as portas para a inovação, já que não tem muitas regras preestabelecidas como no Protocolo de Quioto, e para projetos de menor escala que seriam inviáveis sob Quioto.

Outras bolsas voluntárias são:

  • ECX - Bolsa do Clima Européia
  • NordPoll - (Oslo)
  • EXAA - Bolsa de Energia da Áustria
  • BM&F (Brasil) - Por enquanto somente trabalha com o leilão de créditos de carbono.
  • New Values/Climex (Alemanha)
  • Vertis Environmental Finance (Budapeste)
  • Bluenext, antiga Powernext (Paris)
  • MCX - Multi-Commodity Exchange (Índia)