Agropecuária, vilã e vítima
O uso do solo para o setor agropecuário é uma das atividades mais impactantes para as mudanças do clima e também uma das mais afetadas pelas conseqüências do fenômeno, o que preocupa o Brasil, que é um dos líderes mundiais na produção e exportação de vários produtos agropecuários.
De acordo com os dados da Comunicação Nacional Inicial do Brasil (MCT, 2004), o setor agrícola foi responsável, em 1994, por emissões significativas de CO2, por 92% das emissões de óxido nitroso (N2O), além de emissões importantes de metano (77,1%), principalmente provenientes da digestão de ruminantes e das áreas de plantio de arroz irrigado. Em nível mundial, entre 1970 e 1990, as emissões diretas da agricultura aumentaram em 27%. CO2 N20
De acordo com Eduardo Assad, chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, as propostas de solução nesta área relacionam-se ao aprimoramento do manejo das culturas e dos solos agrícolas e do pastoreio e manejo dos rebanhos e dos dejetos animais. “As oportunidades de mitigação para o setor agropecuário envolvem o aumento dos sumidouros de carbono no solo, ou seja, dos processos, atividades ou mecanismos que removam gás de efeito estufa da atmosfera, e também a produção de biomassa para fins energéticos, como o Etanol”, explica.
Ele aponta também o sistema de plantio direto como uma técnica que vem dando certo.“A agroindústria brasileira já está usando o plantio direto em diversas culturas, principalmente para as culturas da soja e do milho. Hoje, já existem no Brasil 23 milhões de hectares utilizando esse sistema que funciona como seqüestrador de carbono”.
O pesquisador da Embrapa também destaca que as reduções de emissões de GEE podem ser obtidas pelo uso de práticas agrícolas sustentáveis, com a aplicação, por exemplo, dos princípios da agroecologia e da agricultura orgânica. “Temos também os sistemas agrosilvopastoris – que unem pasto, grão e lavoura. Isso é importante, porque havendo mais árvores no sistema há maior eficiência na redução de carbono na atmosfera”, explica.
Esse sistema, pela integração da floresta com as culturas agrícolas e com a pecuária, oferece uma alternativa para enfrentar os problemas crônicos de baixa produtividade, de escassez de alimentos, de degradação ambiental e de redução de riscos de perda de produção, pois há grande diversificação de cultura.
O clima na imprensa
Somente 1,3% dos textos sobre mudanças climáticas veiculados por 50 jornais brasileiros, no período 2005-2007, abordaram as estratégias de mitigação relacionadas ao setor agrícola.
Fonte: Pesquisa Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira. ANDI e Embaixada Britânica.
Vale lembrar que o Brasil já tem aproximadamente 200 milhões de bois, o que supera inclusive, o número de brasileiros. Assim, a pecuária é uma das maiores fontes de emissão de gás metano para a atmosfera. O processo de formação do gás ocorre durante o processo digestivo dos animais ruminantes (bovinos, bubalinos, ovinos e caprinos), sendo o metano subproduto deste processo, liberado para a atmosfera através da flatulência e eructação dos animais.
Em média, estima-se que 6% de todo o alimento consumido pelo gado no mundo seja convertido em gás metano. O metano é 24 vezes mais potente do que o dióxido de carbono para causar aquecimentos atmosféricos, contribuindo com 15% do total do aquecimento global.

















