A construção, os moradores
A construção e utilização de edificações, em seus diversos segmentos – residenciais, comerciais, públicos – contribuem com 30 a 40% das emissões globais de gases de efeito estufa por meio de intenso uso energético. No Brasil, 42% do consumo de eletricidade deriva do uso de edificações, sendo 23% proveniente de edifícios residenciais, 11%, comerciais e 8%, edifícios públicos.
“A maior parte do consumo energético nas edificações ocorre na sua fase de utilização (80%), principalmente derivadas de resfriamento, aquecimento, iluminação, equipamentos como chuveiros elétricos e eletrodomésticos, bem como preparação de alimentos”, explica o presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, Marcelo Takaoka.
Obviamente, já na fase da construção registra-se o uso de materiais com alto índice de gasto energético em seu processo de produção como aço, cimento, plásticos, entre outros. “Além disso, há a questão dos resíduos da construção civil, que são pouco reciclados ou reutilizados atualmente no país”.
A atividade da construção civil gera uma parcela predominante da massa total dos resíduos sólidos urbanos produzidos nas cidades. Algumas leis e políticas públicas, além de normas técnicas fundamentais na gestão dos recursos da construção civil, têm contribuído para a minimização dos impactos ambientais oriundos das construções. Uma das mais significativas é a Resolução nº 307 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), de 5 de julho de 2002, que, entre outros aspectos, impõe que os municípios elaborem um Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos de Construção Civil.
Alto consumo
De acordo com o professor da Universidade de São Paulo, Vanderley John, a participação dos edifícios no consumo de energia elétrica vem crescendo no Brasil, sobretudo em função dos aparelhos de ar-condicionado, e existe uma previsão de quase dobrar a produção de cimento nos países em desenvolvimento nos próximos 40 anos. “Então o problema está ficando mais grave”, avalia.
Ele aponta como soluções a eficiência energética e uso de fontes renováveis de energia na produção de materiais e no uso diário em edifícios. “Também pode-se reduzir o uso do calcário como matéria-prima (440kg de CO2 são liberados para cada tonelada de calcário calcinada) e isto implica em mudanças tecnológicas”. Vanderley John também ressalta que engenheiros e arquitetos precisam mudar a forma de fabricar materiais e construir. “Precisamos formar engenheiros capazes de desenvolver tecnologias sustentáveis - e não a engenharia que repete sem qualquer crítica conceitos e soluções velhas e copia as do exterior”, critica. CO2
“Outra iniciativa forte no Brasil, nem sempre associada com mudanças climáticas, é o uso de resíduos na fabricação do cimento. Temos cimentos no mercado que emitem apenas 25% do CO2 dos cimentos tradicionais, comercializados nos EUA, por exemplo”, cita.
O clima na imprensa
As estratégias de mitigação referentes às edificações foram as mais negligenciadas pela imprensa brasileira. Elas foram foco de apenas 2 textos (ou 0,2% da cobertura) sobre mudanças climáticas publicados em 50 jornais brasileiros, entre 2005 e 2007.
Fonte: Pesquisa Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira. ANDI e Embaixada Britânica.
Mudança de hábito
Marcelo Takaoka, do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, destaca como um dos principais desafios no setor de edificações, mudar a cultura do usuário. “Não adianta comprar uma “casa verde” ou morar em um “edifício verde”, se o morador deixa o ar-condicionado ligado o dia todo, por exemplo”, destaca. Takaoka diz ainda que cerca de 47% da energia utilizada em um prédio comercial é do uso do ar-condicionado.
Ele lembra que isso passa também por iniciativas simples como desligar as lâmpadas para economizar energia, desligar equipamentos elétricos desnecessários, trocar as lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas.
Vanderley John dá outro exemplo: “Em muitos países, a fachada de vidro em edifícios está proibida, porque exige enormes gastos de energia para refrigeração. No Brasil, infelizmente, o governo não teve coragem de implantar uma norma obrigatória, mas já temos o sistema de etiquetagem de edifícios comerciais, o Edifica, da Eletrobrás. É pouco, mas é melhor que nada. Por isso é importante educar os cidadãos para que passem a exigir e consumir de forma mais sustentável. Educação ambiental precisa parar de falar somente de floresta, lixo urbano e reciclagem”, conclui.
Embora a participação seja voluntária, as empresas que não aderem ao PBPQ-H podem sofrer restrições de créditos financeiros de financiadoras, nas quais a certificação vale como critério de aprovação. Além disso, podem encontrar dificuldades de participação em processos públicos e privados de licitação, por conta das menores condições de cumprir com as exigências contratuais.

















