Investimentos nas alternativas
Confirma a tendência de aumento do uso de energias alternativas um documento produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que anunciou novo recorde anual de investimento em energia renovável e em indústrias de produção de eficiência energética em 2007.
De acordo com o Global Trends in Sustainable Energy Investment 2008 (PDF 2.373 KB - Baixar Aqui) (Tendência Global em Investimento em Energia Sustentável), mais de US$ 148 bilhões foram direcionados ao setor de energia sustentável no ano passado, 60% a mais que 2006, o que significa um aumento de três vezes as previsões do relatório de 2006. A energia eólica mais uma vez atraiu a maior parte dos investimentos (US$ 50,2 bilhões em 2007), porém a energia solar disparou,atraindo US$ 28,6 bilhões do novo capital e crescendo a uma taxa média anual de 254% desde 2004.
“A 'corrida do ouro' em busca da energia verde está atraindo legiões de prospectores dos tempos modernos em todas as partes do globo,” diz Achim Steiner, diretor do Pnuma. Ele avalia também que é cada vez mais óbvio, para os setores público e privado (investidores), que a transição para uma sociedade “com baixo teor de carbono” é tanto um imperativo global quanto uma inevitabilidade.
O relatório do Pnuma informa que a maior parte do dinheiro foi para a Europa, seguida pelos EUA. Entretanto, China, Índia e Brasil atraíram, de forma crescente, interesse de investidores, com a sua parte do crescimento do novo investimento indo de 12% em 2004 para 22% em 2007, um aumento de quatorze vezes: de 1,8 bilhão para 26 bilhões de dólares.
Nos Estados Unidos, a aceitação por energias sustentáveis se tornou mais ampla, se estendendo além de seu tradicional centro na Califórnia. O setor financeiro do país também está caminhando para uma grande mudança na atitude política. Os grupos Citi, JPMorgan Chase e Morgan Stanley estabeleceram em conjunto uma série de “Princípios de Carbono”, que os guiará no aconselhamento que fazem grandes empresas energéticas nos EUA. São eles:
- Eficiência energética: a maneira mais efetiva de reduzir emissões de CO2 é não gerá-las. Baseados nesse conceito, promoverão o investimento nesse tipo de projeto e tecnologia.
- Tecnologias de energia renovável ou de baixa emissão de carbono: o investimento nesse setor ajudará não somente a cumprir a redução das emissões, mas também a impulsionar o desenvolvimento tecnológico e a criação de empregos.
- Tecnologias convencionais ou avançadas de geração de energia: mesmo com o investimento nos dois tópicos anteriores, provavelmente serão necessários investimentos em outras fontes de energia para garantir o abastecimento, como gás natural, carvão mineral – para a alimentação das termoelétricas – e usinas nucleares. Nesse sentido, os bancos irão avaliar as estratégias de mitigação e o planejamento da empresa, para reportar os riscos do aumento da emissão de carbono a partir de novas fontes em um momento no qual o futuro do controle das emissões é incerto.
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Outra iniciativa importante é a adoção, por parte dos bancos, de princípios para avaliar riscos em financiar “projetos emissores de carbono”, dada a crescente incerteza em torno da política de mudanças climáticas. Eles também considerarão a inclusão de companhias energéticas, da eficiência energética e dos recursos renováveis em seus portfólios de investimento como parte de um “processo de diligência aprimorado”.
Ainda é pouco
Embora as cifras do investimento em energia limpa venham aumentando, o valor ainda é insuficiente para gerar uma redução das emissões capaz de contribuir para a diminuição do aquecimento global. De acordo como o Fórum Econômico Mundial, são necessários US$ 515 bilhões por ano até 2030 para que se crie uma infra-estrura mundial de energia limpa.
Se esse montante não for utilizado, não será possível impedir que a emissão dos gases de efeito estufa atinja níveis insustentáveis, alertou a entidade em seu encontro anual em Davos, na Suíça, no dia 29 de janeiro de 2009.
De acordo com o Fórum, o investimento em energia limpa gera retorno econômico: 90 empresas líderes no setor obtiveram retorno de 10% em 2008, mesmo com a crise econômica.


















