SOLUÇÕES E ADAPTAÇÕES
Implementar alternativas – sejam elas soluções para os problemas já evidentes ou adaptações às mudanças já irreversíveis - significa investir em pesquisas e abraçar a revisão de paradigmas políticos, econômicos e culturais. É bom começar logo, se não quisermos pagar ainda mais caro!
Menos gases e mais tecnologia
“O primeiro passo para o estabelecimento de soluções que respondam ao fenômeno das mudanças climáticas é reconhecer que as emissões de gases de efeito estufa (GEE) têm que ser reduzidas e estabilizadas”. A afirmação do professor Saulo Rodrigues, do Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB, vai ao encontro das diversas tentativas realizadas por vários setores para mitigar (reduzir e estabilizar) as emissões. “Caso os níveis desses GEEs continuem a aumentar na atmosfera, as alterações climáticas serão mais severas, pois inevitáveis já são”. O desafio adicional é a chamada “adaptação às mudanças do clima”, como um bom sistema de defesa civil que proteja as cidades de inundações, por exemplo.
Não são tarefas simples. “Iniciativas para soluções para mudanças climáticas alteram um padrão de produção e consumo que vem sendo construído e estimulado há mais de 200 anos”, afirma. Uma observação dos diversos fatores que podem contribuir para uma redução de emissões de gases de efeito estufa dão o exemplo do quanto é necessário um esforço global dos mais variados setores da sociedade. São eles:
- Mudanças estruturais nos sistemas de produção, hoje baseado em processos intensivos com energias não-renováveis (e, portanto, intensa em carbono fóssil), para sistemas alternativos de baixa intensidade de energia.
- Implementação de tecnologias avançadas, em setores como energia, transporte, construção, resíduos, agricultura e florestas.
- Mudança nos padrões de consumo, nos padrões das moradias, na durabilidade e taxa de obsolescência de bens de consumo.
- Mudança nos padrões de mercado, permitindo o acesso às tecnologias inovadoras existentes ou em desenvolvimento.
- Suporte financeiro dos países desenvolvidos aos países em desenvolvimento, aumentando a capacidade destes em construir suas infra-estruturas.
O clima na imprensa
Cerca de 42% dos textos sobre mudanças climáticas publicados em 50 jornais brasileiros, entre julho de 2005 e junho de 2007, mencionaram estratégias de mitigação. Já a discussão sobre adaptação foi abordada em reduzidos 2,7% do material.
Fonte: Pesquisa Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira. ANDI e Embaixada Britânica.
De acordo com o Relatório Stern (PDF 8.822 - Baixar Aqui), publicado em 2006, as tentativas de mitigação das mudanças climáticas deverão incluir os seguintes elementos-chave:
- Comércio de emissões:A expansão e a conexão de um número crescente de programas de comércio de emissões a nível mundial são um método poderoso de promover reduções de emissões rentáveis e de acelerar a ação nos países em desenvolvimento. Metas exigentes nos países ricos poderiam impulsionar fluxos, totalizando anualmente dezenas de milhares de milhões de dólares para apoiar a transição para caminhos de desenvolvimento de baixo carbono.
- Cooperação tecnológica:A coordenação informal assim como os acordos formais podem estimular a eficácia dos investimentos em inovação no mundo inteiro. A nível global, o apoio ao desenvolvimento do setor energético deverá dobrar, e o apoio à utilização das tecnologias de baixo carbono deverá aumentar em até cinco vezes. A cooperação internacional em matéria de normas dos produtos é uma forma poderosa de estimular a eficácia energética.
- Ação para reduzir a desarborização:A perda anual das florestas naturais a nível mundial contribui mais para as emissões globais do que o setor dos transportes. A limitação da desarborização é uma maneira altamente rentável de reduzir as emissões. Para considerar as melhores formas de limitação, poderiam iniciar-se muito rapidamente programas-piloto internacionais em grande escala.
- Adaptação:Os países mais pobres são os mais vulneráveis às alterações climáticas. É essencial que as alterações climáticas sejam totalmente integradas na política de desenvolvimento e que os países ricos honrem o seu compromisso de aumentar o apoio aos países em desenvolvimento. O financiamento internacional deverá também apoiar o melhoramento da informação regional sobre os impactos das alterações climáticas e a investigação de novas variedades de colheita que sejam mais resistentes às secas e às inundações.
* Mais sobre a solução do comércio de carbono na seção MDL - mecanismo limpo

















