Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010 - 22:18
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A insustentável teologia do mercado

Pensar crescimento econômico como principal meio de promoção da qualidade de vida da população e diminuição das desigualdades sem levar em consideração que grande parte dos recursos são não-renováveis começou a soar antiquado em tempos de tantas discussões sobre mudanças climáticas e acerca das implicações do modelo de crescimento adotado nos impactos causados por esse fenômeno.

Como destaca a física e ativista ambiental indiana Vandana Shiva, a teologia do mercado e a crença nos milagres tecnológicos permitiu a economistas modernos argumentarem que não havia base teórica para a preocupação com a exaustão dos recursos naturais. Porém, a partir da década de 1980 começou a surgir uma crescente conscientização de que o processo de desenvolvimento.

Vale lembrar que a idéia de desenvolvimento sustentável trata, alem das questões ambientais, de temas como governabilidade, democracia e cidadania. Essa discussão está relacionada com o crescimento do consumo. Diante de previsões de cenários como este a advertência é clara: a manutenção dos altos padrões de consumo, principalmente nos países ricos, se tornaria um obstáculo intransponível para a superação das desigualdades.

Dessa forma, é fundamental falar sobre desenvolvimento tecnológico. As conquistas tecnológicas não costumam representar avanços isolados. Por exemplo, vacinas para doenças infecciosas, fontes de energia limpa, acesso à internet para a informação/comunicação e outras tecnologias poderiam melhorar diretamente a nutrição, a saúde, o conhecimento e o nível de vida de grandes contingentes populacionais. As tecnologias também podem influenciar o crescimento econômico, devido aos ganhos de produtividade gerados pelas inovações em vários setores. De acordo com especialistas, a democratização do acesso à tecnologia é fundamental.