Sexta-feira, 12 de Março de 2010 - 10:46
Diagnósticos da crise / O que é desenvolvimento

O Índice de Desenvolvimento Humano

No final dos anos de 1980, o mundo começou a demonstrar descrença na visão de desenvolvimento centrado quase que exclusivamente no crescimento econômico. A economia mundial se ressentia do que acabaria por ser chamada de “década perdida”, marcada por elevação da concentração de renda e por fluxos financeiros mundiais cada vez mais soltos. Ou seja, países que haviam apresentado um grande incremento na economia, ao longo da década anterior, continuavam com desigualdades sociais – o Brasil foi um deles. O mundo também vivia a derrocada do socialismo, que provocava alterações na configuração geopolítica do planeta, com o fim da Guerra Fria entre Estados Unidos e a, então, União Soviética.

Estudiosos do tema passaram a advogar a tese de que, para além da economia, seria preciso investir também em questões sociais. Dessa forma, o grau de desenvolvimento de uma sociedade seria dependente não só de suas variáveis econômicas, mas também das sociais. O exemplo mais clássico dessa dicotomia entre desenvolvimento econômico e social pode ser encontrado em países que investem na produção de petróleo.

De maneira geral, eles crescem a taxas elevadas e têm a renda per capita alta, entretanto a população é extremamente pobre, porque não há investimentos sociais. A Nigéria, por exemplo, é o país africano que mais produz petróleo, entretanto possui índices sociais extremamente graves: cerca de 75% da sua população está abaixo da linha da pobreza, e o país se encontra entre os 30 do mundo com os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano. Uma clara mostra de que o crescimento econômico não representou investimento social.

O desenvolvimento social seria, portanto, aquele no qual os tomadores de decisão optam por estratégias de ação essencialmente voltadas para a área social até mesmo quando o “bolo” econômico não está em seus picos de crescimento. Em outras palavras, o que se defende são políticas que independentes do desenvolvimento econômico investem primeiramente na melhoria da vida das pessoas.

Isso não quer dizer que um bom desempenho da economia não tenha impacto positivo nos avanços sociais. Não se está defendendo que a economia possa ficar desgovernada, sem que isso venha a interferir de forma extremamente negativa no contexto social. O que se quer sublinhar aqui é que, em determinados casos, a utilização mais racional dos (poucos) recursos disponíveis pode colaborar enormemente para o avanço social.