China sediará reunião internacional sobre mudanças climáticas antes da COP 16 em Cancun

Segundo um comunicado do subsecretário geral da ONU e diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Achim Steiner, feito ao jornal chinês “China Daily” durante a Expo 2010 de Shangai, as autoridades chinesas estão trabalhando junto com a ONU para preparar um encontro na cidade de Tianjin.

Mesmo sem nenhum anúncio oficial do governo da China, o secretário executivo do PNUMA afirmou que “este gesto é bastante positivo”. “A China vai introduzir algumas idéias e oportunidades novas com o objetivo de fazer com que as negociações avancem”. O vice-presidente do IPCC da China, He Jiankun, confirmou a notícia e explicou que com a reunião de Tianjin se pretende “ajudar as nações a alcançarem mais acordos nas negociações do final do ano”.

O gigante asiático é o país que produz mais gases de efeito estufa por meio da atividade humana, e sua postura referente a necessidade de controlar a emissão desses gases será crucial nos esforços para alcançar um novo acordo que permita fazer frente ao aquecimento global.

A Conferência de Copenhague (COP 15), no final do ano passado, terminou com um acordo não vinculativo mambembe. O próximo grande encontro está marcado para Cancun entre os dias 29 de novembro e 10 de dezembro, mas as autoridades chinesas e de outros países duvidam que essa reunião seja concluída com um pacto vinculativo, algo que será mais provável apenas no encontro que acontecerá na África do Sul no final de 2011. Antes disso, entre os dias 2 a 6 de agosto, haverá uma nova reunião em Bonn na Alemanha para discutir o tema.

Steiner afirmou que “devemos trabalhar para que os objetivos e projetos de Copenhague se traduzam em instrumentos formais para lutar contra o aquecimento globlal”.

GERAR CONFIANÇA

O representante especial da China para as negociações sobre as mudanças climáticas, Yu Qingtai, destacou que na Conferência de Cancun tem que “voltar ao básico”, ou seja, a Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas e ao Protocolo de Quioto, para retornar a gerar confiança mútua e assegurar assim o êxito do encontro.

Assim mesmo considerou que as negociações devem basear-se no princípio de que os países desenvolvidos e os em desenvolvimento não podem ter as mesmas responsabilidades no que se refere à redução de suas emissões. “Não poderemos avançar se nos afastamos desse princípio”, enfatizou Qingtai.

O representante especial da China para as negociações sobre as mudanças climáticas declarou que a confiança mútua foi “gravemente” arranhada na Conferência de Copenhague, onde vários países desenvolvidos não cumpriram seus compromissos e fizeram demandas “pouco razoáveis” aos países em desenvolvimento. Segundo Qingtai, estes últimos são as vítimas das mudanças climáticas e por isso não deveriam ser os que assumissem as suas conseqüências.

O alto funcionário chinês ainda instou os países desenvolvidos a cumprir sua promessa de oferecer ajuda financeira e tecnológica aos menos desenvolvidos para que combatam as mudanças climáticas. No Acordo de Copenhague, os países ricos se comprometeram a doar 30 bilhões de dólares como ajuda para o período 2010-2012 e outros 100 bilhões até 2020, mas até o momento não foi decidido de onde saíra o dinheiro e nem como será usado.

Yu Qingtai reiterou que a elaboração e implementação de uma política de enfrentamento às mudanças climáticas na China deverá levar em consideração que boa parte de sua população vive na pobreza. Ainda assim, assegurou que seu país se esforçará para alcançar o seu objetivo de reduzir entre 40 e 45% de sua intensidade energética (emissão de CO2 por cada unidade do PIB) em 2020 em relação aos níveis de 2005.

Fonte: Yahoo Espanha