Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010 - 11:40

Relatórios

Desde 1988, o IPCC publicou quatro relatórios de avaliação, os chamados ARs (Assessment Report): em 1990 (AR1), 1995 (AR2), 2001 (AR3) e 2007 (AR4). Para cada um, foi lançado o relatório principal e uma versão resumida, conhecida como Summary for Policymakers. Os relatórios são compostos de três volumes: Ciência (GTI); Impactos, Adapatações e Mitgações (GTII); e Dimensões Socioeconômicas das Mudanças Climáticas (GTIII). Analisando-se as conclusões de cada um dos relatórios nota-se claramente que a confiança nas previsões e na influência do ser humano nas mudanças climáticas vem aumentando.

1° Relatório de Avaliação – AR1 (First Assessment Report) – foi publicado em Sundsvall (Suécia), em agosto de 1990, serviu como base para a Convenção do Clima (UNFCC), em 1992, e confirmou cientificamente as evidências que alertaram para o fenômeno das mudanças climáticas. O AR1 apresenta as seguintes considerações: certeza da ocorrência natural do efeito estufa; aumento substancial do efeito devido às emissões de GEE decorrentes das atividades humanas; aumento no efeito estufa aumentará o aquecimento global; o aquecimento global aumentará a concetração atmosférica de vapor de água que potencializará, ainda mais, o aquecimento global; a emissão de CO2 é responsável, em grande medida, pelo aquecimento; somente uma redução de mais de 60% nas emissões de CO2 pode estabilizar as concentrações; a temperatura global aumentará entre of 0.2 e 0.5 oC por década, variação maior que as vistas nos últimos dez mil anos. Ainda existe um certo grau de incerteza, particularmente com relação à magnitude e aos padrões regionais da mudança climática, devido a falha em compreender completamente as fontes e os sumidouros de GEE, além dos papel das nuvens, oceanos e calotas polares. CO2
2º Relatório de Avaliação - AR2 (Second Assessment Report)  - publicado em Roma, em dezembro de 1995. Colaboraram mais de 2000 cientistas e especialistas em sua elaboração. O AR2 fez uma revisão na literatura existente sobre o tema de mudanças climáticas e serviu de base para a formulação, dois anos mais tarde, do Protocolo de Quioto. Entre as suas principais conclusões, destacam-se: as concentrações de GEEs continuam aumentando; o clima já se alterou no último século; o conjunto das evidências sugere uma evidente influência humana nas mudanças climáticas; o clima continuará mudando no futuro; ainda existem algumas incertezas; a mudança na temperatura global, nos últimos cem anos, não são naturais, mas sim resultado da ação humana.
3º Relatório de Avaliação - AR3 (Third Assessment Report) - publicado em Acra, Gana, em março de 2001 e representa o primeiro consenso científico global no tema. O relatório fez uma revisão da literatura científica no tema das mudanças climáticas, incluindo informações que não constavam do segundo relatório. Algumas das conclusões do relatório são: as alterações climáticas regionais recentes já afetam muitos sistemas biológicos e físicos; sistemas humanos têm sido afetados por enchentes e secas; sistemas naturais sofrerão danos irreversíveis; a adaptação é imprescindível como complemento a esforços de mitigação; diminuição da disponibilidade de água em regiões áridas e semi-áridas em regiões sub-tropicais; redução da produtividade agrícola nos trópicos e sub-trópicos; impactos na produtividade e composição de sistemas ecológicos, destacando os recifes de corais como os mais vulneráveis; aumento do risco de inundações, deslocamento de milhões de pessoas devido ao aumento do nível do mar, especialmente em pequenos estados insulares e em deltas de rios de baixa altitude; aumento, especialmente nas regiões tropicais e sub-tropicais, da incidência da mortalidade pelo calor e doenças transmissíveis por vetores, como malária e dengue, e pela água, como Cólera; a incerteza não deve ser utilizada como escusa para a inação; os países menos desenvolvidos são os mais vulneráveis aos impactos; A adaptação é possível, mas limitada; mitigar os impactos tem custo menor que os impactos potenciais; políticas públicas efetivas devem ser implementadas no curto prazo.
4º Relatório de Avaliação - AR4 (Fourth Assessment Report): O quarto relatório do IPCC, discutido em novembro de 2006, em Valência, teve seu Sumário Executivo divulgado no início de fevereiro de 2007. Este sumário apresenta dados que indicam que onze dos últimos doze anos foram os mais quentes desde que a temperatura global começou a ser medida, em 1850. O relatório apresenta informações mais específicas de uma ampla gama de sistemas e setores acerca da natureza dos impactos futuros, inclusive para alguns campos que não foram tratados nas avaliações anteriores. Segundo o documeto, até 2099, o aquecimento global poderá aumentar a temperatura em até 6 oC e que vivemos uma "nova época climática" que trará conseqüências desastrosas para a Terra. Os relatórios concluem que o aquecimento é devido, com grande probabilidade, à crescente concentração de GEE na atmosfera devido às atividades humanas, e que, mesmo com o corte total das emissões de CO2, a temperatura global subiria 0,9 oC. O aumento do nível dos mares em todos os continentes (em até 7 metros), pelo degelo de grandes superfícies de neve e gelo do planeta, são inevitáveis. Aumentará a incidência de furacões e de doenças, com destaque para dengue, malária, cólera, entre outras. Os governos necessitam rever seus padrões de consumo de combustíveis fósseis, optar por fontes renováveis de energia e pelo reflorestamento, destinando, para isso, 0,50 % do PIB mundial. O custo de estabilização de GEE, até o ano de 2030, na faixa de 445 a 535 ppm, terá um impacto de menos de 3% no PIB global. O AR4 pôde afirmar com mais certeza as previsões relacionadas às mudanças climáticas, porque os especialistas avaliaram centenas de dados disponibilizados por uma tecnologia que não era acessível em 2001.