Relatório Stern
O Ministério de Finanças Britânico encomendou ao economista inglês Sir Nicholas Stern, ex-economista chefe do Banco Mundial, um estudo sobre os efeitos das mudanças climáticas na economia pelos próximos cinquenta anos. O documento, denominado Relatório Stern (Stern Review), foi apresentado ao público no dia 30 de outubro de 2006 e contem mais de 700 páginas. Embora não seja o primeiro relatório enfocando aspectos econômicos das mudanças climáticas, é o mais completo, o mais debatido e conhecido deles. O Relatório aponta as mudanças climáticas como uma grande e abrangente falha de mercado. Há três componentes científicos no documento: a sensibilidade climática, as emissões futuras dos GEE, e os impactos de uma dada mudança frente à inação. Dentre as suas conclusões, pode-se destacar a que afirma que com um investimento de apenas 1% do PIB Mundial se pode evitar a perda de 20% do mesmo PIB num prazo de 50 anos (prazo abordado pelo estudo). Ainda segundo o Relatório, na hipótese moderada de uma elevação de temperatura de 2 a 3 °C, pelo menos 1 bilhão de pessoas serão afetadas por crescente escassez de água. Stern afirma que os tomadores de decisão devem adotar os riscos extremos em suas análises, em detrimento das previsões médias, uma vez que os danos serão mais graves se as políticas e ações empregadas levarem em conta apenas as previsões médias. A análise econômica apresentada no documento trouxe uma nova perspectiva política para o problema: a de que é mais lucrativo agir, do que não fazer nada. Stern aponta que os prejuízos da inação frente à crise climática só podem ser comparados aos custos enfrentados com as duas Guerras Mundiais e a Depressão de 1929. O relatório concluiu que são imprescindíveis uma forte ação coletiva internacional (aumentar a cooperação) e uma regulação forte do mercado (taxação do carbono) para se enfrentar adequadamente o problema das mudanças climáticas. Alguns economistas chegaram a criticar a metodologia do estudo, chamando-a de excessivamente pessimista, sem, no entanto, repreender totalmente suas conclusões.














