Terça-feira, 21 de Outubro de 2014 - 13:40
Academia / Estudar para enfrentar / >>

Transportes e queimadas

Na própria Universidade de Brasília (UnB), há também diversas iniciativas de estudos relacionados às mudanças do clima. Merece ser mencionado, por exemplo, o Centro de Formação de Recursos Humanos (Ceftru) que iniciou, em 2004, as principais atividades do Laboratório de Monitoramento e Controle Ambiental em Transportes (Lamcat).

O chefe do laboratório, Felipe Azevedo, destaca que o principal objetivo do centro de experiências é o desenvolvimento de pesquisas, ensaios e projetos relacionados aos impactos ambientais provocados pelo transporte urbano. “O Lamcat atua no monitoramento da poluição sonora, vibração e poluição do ar, além da indicação de danos ocasionados à saúde humana por tais fatores”, explica.  


Sustentabilidade

Destacam-se ainda na UnB o Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS), criado em 1995, e o Departamento de Engenharia. O CDS desenvolve trabalhos dedicados ao ensino, à pesquisa e à extensão, na área de meio ambiente e desenvolvimento sustentável, com diversos campos disciplinares. No Departamento de Engenharia da faculdade, é desenvolvido um importante estudo sobre as queimadas na Amazônia. “O Brasil está em uma posição muito desconfortável hoje no mundo porque nossas emissões de carbono devido aos incêndios florestais são muito altas. A magnitude das queimadas na Amazônia insere-se no contexto global”, explica Carlos Alberto Gurgel, professor do Departamento de Engenharia e um dos autores do documento.

Entre as principais constatações da pesquisa realizada na Amazônia, Gurgel descobriu que, nas grandes queimadas, o fogo chega a durar três ou quatro dias sem cessar, propagando-se em uma velocidade de 30 centímetros por minuto. O estudo é realizado por meio da queima controlada de pequenos trechos dentro da floresta. “O mais grave é que os incêndios na Amazônia podem atingir proporções gigantescas. Ela tem riquezas de diversas naturezas e precisa ser mais cuidada pelos brasileiros. Mas não deixo de ressaltar que também precisamos olhar um pouco mais para o Cerrado”, alerta Gurgel.

* Mais sobre Cerrado na seção A agonia do Cerrado

Para o físico e ex-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Enio Candotti, o desafio das pesquisas brasileiras na Amazônia é conhecer mais sobre os processos da floresta. “Precisamos conhecer qual extensão mínima que ela deve ter para se regenerar, para criar o clima necessário, para que ela mesma produza a água, recicle e permita a conservação do ciclo ambiental”, provoca Candotti.

Ele diz que é necessário entender quais os principais parâmetros de colapso da floresta para a partir daí obter resultados sobre as diferentes experiências climáticas dessa região. “Qual é a influência climática amazônica sobre, por exemplo, os oceanos? Qual a influência climática da ocupação do solo nos estados? O mundo das mudanças climáticas está apenas engatinhando e creio que encontra já algo embaçado, que perturba um pouco a visão. Isso tem a ver, entre outros fatores, com o ar de glamour que está nas manchetes, levando a que se perda de vista a qualidade e a contundência dos resultados”, avalia.